Trecho 07 : Copacabana – La Paz

15 02 2008

Acordamos e o dia estava nubladaço. Sem chances de um mergulho! E praia, no frio, com tempo nublado não rola. Comçamos a agitar para voltar e conseguimos uma carona (paga) direto para Copa no barco dos velhos xamas das oferendas do dia anterior. Voltamos ao lado de um velhinho xamã-sinistro que era “o tal” das plantas medicinais. Mas era impossível para o senhorzinho entender que não falávamos castelhianos nativo, muito menos aymará. Ele falava em um ritmo frenético que pensei em um possível enfarte dele a qualquer momento. Quando descobriu que eu era fotógrafo, quis me explicar todas as fotos dos livros de plantas medicinais publicados por ele. Desde 1970. Todas as 3135464000…rs Saí com dor de cabeça mas com o espanhol afinadinho e craque em leitura labial.

Chegando a Copacabana, nossa missão era pegarmos um ônibus em direção a La Paz.

Conseguimos comprar as passagens para depois do almoço e neste meio tempo resolvemos ligar para casa.

Dica: descobrimos que sai muito mais barato comprar um cartão para celular pré-pago e utilizar o telefone celular de algum morador. Normalmente no próprio local onde se compra o cartão, o funcionário irá te oferecer o telefone dele.

Antes de sairmos ainda pegamos uma procisão-carnaval.

La Paz não fazia parte do roteiro inicialmente pois não queríamos passar por cidades grandes mas lemos sobre a tal feiras das bruxas, um amigo falou que a cidade era carinhosamente agitada e que valia a visita. Fomos.

Chegamos em La Paz a noitinha e vendo a cidade do alto, a noite, a primeira impressão era estar vendo um grande favelão. Todas as encostas salpicadas de luzes, como os morros cariocas. Dias depois, passando pelo mesmo local de dia, percebi que era apenas um pensamento carregado de preconceito. Na verdade, La Paz se mostrou uma cidade grande como outra qualquer, com toda a dualidade que essa frase pode trazer. Dos bons serviços ao trânsito alucinadamente caótico. Talvez eu quisesse logo ao chegar encontrar de longe e no escuro um Piedra de La Gávea ou um Pan de Azúcar mas até isso o nascer do dia me tranqüilizou. Não, calma. Não havia nenhuma Piedra de la Gávea por lá mas haviam muitos picos nevados rodeando a cidade. Uma paisagem muito bonita de se ver e completamente diferente para mim.

Mas já que eu falei de trânsito, vale ressaltar: puta que pariu! Sim, só isso sintetiza o transito de La Paz. Quem deu o nome de La Paz a cidade com certeza nunca dirigiu por aquelas bandas. Os táxis paravam para embarque e desembarque sem a menor cerimônia, no meio da rua. No meio da rua não é força de expressão não. É no meio da rua mesmo. Literal. Os nossos motoristas de onibus, vans e kombis ficariam ruborizados por lá. O trânsito não é pesado como Rio e SP na hora do rush ( que atualmente se estende das 8hs às 21hs ). O trânsito é caótico mesmo! Não tem engarrafamento, mas fechar um cruzamento lá….pq não? Coisa boba. Preferencial por já estar na rotatória? Esqueça.

Dentre os muitos que poderia citar vou ficar com o exemplo do, carinhosamente apelidado, “estagiário”. Estávamos eu e Lianna no centro da cidade, meio andando a esmo, meio procurando uma sorveteria indicada por um amigo, quando paramos em um cruzamento e começamos a observar o guardinha que comandava o trânsito. Muitas vezes ele mandava os carros pararem, sinalizando com o braço estendido na frente do corpo e a palma da mão aberta (uma espécie de Hi Hitler), e simplesmente os motoristas cagavam para a sinalização dele. Continuavam andando. Ele não perdia a posse: mudava rapidamente o gesto e passava a mandar os motoristas andarem ao invés de pararem. Ou seja, simplesmente ao invés dele controlar o trânsito, o trânsito o controlava. Teorizei que ele deveria ser estagiário.

Se vc pretende alugar um carro por aqui é sério. Não estou fazendo fru-fru com as palavras, nem carregando no peso não. O trânsito aqui não é coisa para amador. Eu jurava que nestes dois dias veria dúzias de batidas de trânsito. Não vi nenhuma mas também não conseguia entender como esses caras se entendiam. Tenho lido um pouco sobre física quaântica aliada a força do pensamento e telepatia. Quem sabe!

Esse post vai ser só bla, bla, bla mesmo. No próximo post coloco os custos do hostal que ficamos, da passagem Copa – La Paz, da janta e e dicas de onde ficar, ok?

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Ilha do Sol : Lado Norte

14 02 2008

Acordei cedo, fotografei um pouco e começamos as nossas andanças em direção ao lado norte. Nós três, um casal de brasileiros e um americano de olho puxado.

Trilha tranqüila, muito bem marcada e praticamente toda plana (sobe-desce de leve). Cerca de 4 a 5 horas. No caminho apenas um vendinha e um guarita, onde é cobrado uma taxa para a comunidade do lado norte. 10 bolivianos.

A ilha do Sol é uma ilha comprida, esticada, morfologicamente ao estilo de Ilha Grande. Esta trilha atravessa a ilha de ponta a ponta, longitudinalmente, sempre pela cumeada. Ou seja, quase sempre tínhamos uma visão dos dois lados da ilha.

Atravessar a ilha realmente foi um exercício e tanto, só que para o cérebro. Impossível olharmos para várias enseadas de areias brancas e águas verdes-angra clarinhas sem imaginar que estávamos no litoral. Em alguns trechos, alguns aglomerados de algas, vistos de cima, se assemelhavam a corais. Se colocássemos umas árvores e uns bugios, jurava que estava em Ilha Grande. Olhar para aquilo tudo e saber que estava muito alto e que todo aquele mar infinito era doce e gelado foi complicado!

Chegamos, no final da ilha (e da trilha), a uma espécie de platô, um campo aberto, com uma grande mesa de oferendas, que pouco a pouco foi recebendo músicos, nativos, xamas e uns poucos turistas para uma homenagem ao Solstício de verão. Percebemos que até o que deveria ser um transtorno, nesta viagem dava certo. Deveríamos ter entrado em direção ao vilarejo uns poucos kilometros antes (e perder a festa). Óbvio que resolvemos ficar e ver a cerimônia de oferendas.

 

Aproveitamos o começa-não-começa para vermos uma ruína um pouco mais a frente, está sim, literalmente no final da ilha.

Dica: independente de termos ido parar ali sem querer, aconselho a ida. Ruína interessante, plato idem e visual bacana. Essa prainha da foto com um ruína a direita, é lá.

Música, ritual, roupas típicas, nativos, xamãs, simbolísmos, paisagem…

 

Esbaldamos-nos cada um na sua: Lianna quase em transe por encontrar, nestas condições, vários xamãs de uma só vez (ela pedia aos deuses que mandassem pelo menos um); Aline como a cinegrafista da vez e eu transtornado sem nem saber para onde apontava a câmera.

Dormimos mais uma vez em um hostel muito simples, na areia de uma “praia”. Conseguimos uma boa janta e fomos dormir torcendo para que o sol desse as caras no dia seguinte. Um mergulho seria sensacional.

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Custos
Hostal : 15 bol
Janta : 22 bol
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Copacabana : Ilha do Sol

12 02 2008

Acordamos cedo e zarpamos rumo a Ilha do Sol. Desta vez para ficar. Compramos os bilhetes no próprio cais. Sem agência, sem guias. Existe uma bilheteria. 10 bolivianos.

Os barcos chegam ao lado sul da ilha, bem mais estruturado e turístico que o norte, mais rústico e tranqüilo.

Como seriam apenas duas noites e teríamos que andar muito atravessando a Ilha, deixamos as mochilas no depósito do Hostal em Copacabana e levamos uma só mochila com o mínimo necessário para os três. Afinal seriam quase 5 horas de caminhada.

Mais uma vez ao chegar vai ser um disse-me-disse de informações trocadas das “moscas”. Cada um dizendo o que precisar, independente de ser verdade ou não, para te levar para o hostal deles. Fiquem espertos. O que eu posso dizer é que parece existir opções suficientes para todos, mesmo vc sendo convencido de que aquela hospedagem que ele te oferece é a última disponível. No mesmo estilo e praticamente pelo mesmo preço. Vimos um interessante chamado Las Islas mas acabamos, por muita informação cruzada ( e stress entre o grupo ) não ficando lá. Ficamos em um hostal muito bacana ( acredito que melhor localizado que os las islas ) no alto da Ilha que teoricamente tem vista para os dois lados. Não é de todo verdade mas, vai lá, forçando um pouquinho a barra rola… Infelizmente não tenho o nome mas não é nada difícil de achar com essa descrição: topo/final da trilha, hostal a esquerda com vista para os dois lados do lago. Rola um restaurante/lanchonete anexo que ajuda na hora da fome e, porque não, na hora da cerveja.

Se sair para uma cervejinha a noite, lembre-se que não existe iluminação nos becos da Ilha. Uma lua cheia seria o máximo. Na falta de uma, lanterna ajuda. Muita pedra solta, muito degrau, cerveja/vinho na idéia, sem capacete…rs

Mais uma vê me impressionei com a mistura infra-estrutura para turismo versus estilo de vida tradicional. No fundo no fundo confesso que saí do Brasil achando que estava indo visitar vários buracos. Que passaria pelo subdesenvolvimento mais latente da américa latina. Que ficaria isolado em alguns locais sem cerveja e luz. Que bla, bla, bla bla e todas as baboseiras preconceituosas que nos temos com nós mesmo. Sim, nós mesmo!!! Você tem noção que no Lago Titicaca, ali no cu da américa Latina, eu estou mais perto do Rio de Janeiro do que se estivesse em Belém? Em Manaus nem se fala. Eu me toquei que não sabia porra nenhuma de uma cultura que está aqui ao nosso lado, mais perto da gente do que a gente imagina. Enfim, vamos voltar as dicas…

Encontramos muitos hostals transados e restaurantecos com guloseimas e cervejas em meio a monte de muros de pedras, lhamas e trigo para subsistência. Isso sem contar com a lan house aonde as crianças da ilha freqüentam para fazer suas pesquisas escolares.

Muito legal, muito bonitinho mas sem muito o que fazer a não ser apreciar a paisagem e curtir o momento. Um dia para cada lado me pareceu mais do que o suficiente. A não ser que esteja procurando um pouco mais de tranqüilidade, principalmente no lado norte. Um quartinho com a namorada, na parte mais calma da ilha, de frente para “praia”…

Mas isso é papo para o próximo post, quando saímos caminhando por uma 5 horas até o lado norte.

Jantamos com nosso casal de amigos brasileiro e o americano-japa que também faria a trilha conosco.

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Custos:
Barco Copacabana – Ilha do Sol : 10 bolivianos
hostel – $10
internet : 12 bolivianos
janta mais cerveja : 25 bolivianos
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Trecho 06 – Puno : Copacabana. Atravessando a fronteira

11 02 2008

Dormimos no vilarejo mais próximo a fronteira chamada Junguio. Acordamos cedo, conseguimos trocar alguns soles por bolivianos para nos virarmos momentaneamente assim que entrássemos na Bolívia e lá fomos nós de moto táxi em direção a fronteira.

 

Antes de sair do Brasil, li muitos relatos de falcatruas praticadas pela polícia na fronteira Peru – Bolívia, em ambos os lados. Policiais (mesmo) que exigiam seu passaporte na fila (normalmente em alguma repartição errada que vc tenha entrado) e depois de muita enrolação cobram para devolvê-lo. Ou te levavam para uma salinha e na revista te roubavam algo. Ou pessoas que se diziam policiais mas não apresentavam nenhuma identificação aplicando o mesmo golpe entre inúmeras outras variações de ações semelhantes. Na fronteira, não sentimos nenhum desconforto de que isso poderia acontecer, não vimos à possibilidade de entrar errado em algum outro prédio, vimos muita informação em cartazes nas paredes das repartições na fronteira, todas as pessoas sempre muito solicitas em nos ajudar quando pedíamos informações e quase nunca (nas fronteiras, nunca) éramos os únicos turistas. Quem pega ônibus no Rio de Janeiro, anda a noite pela Lapa, negocia cerveja com camelô na praia e freqüenta jogos no maracanã consegue se safar numa boa dessas furadas para turista. Como a Lianna comentou: faro fino e olho vivo. E só. Se acontecer, saiba se impor com decisão mas sem faltar com a educação, e não de seu passaporte. Esses relatos tomaram um vulto de lenda urbana. Todo tem uma história do vizinho do tio do irmão do cunhado que jura que aconteceu com alguem. Provavelmente logo depois de ter acordado sem um dos rins em uma banheira cheia de gelo. Saí daqui aterrorizado e chegava sempre nas fronteiras rosnado e mordendo por causa isso. Foi uma neura em vão. Todos os casos concretos de falcatruas ou furtos que eu fiquei sabendo, foi mole do roubado. E sempre furto. Nenhum roubo.

Chegamos cedo em Copacabana e encontramos com duas amigas que estavam hospedadas em um hotel duas estrelas chamado UTAMA. Acabamos ficando nele para ficarmos todos juntos. Era um hotel bom com café da manha incluso, restaurante dentro e com frutas (leia banana), biscoitos e chás à vontade (de graça. Self-service) durante 24hs. O quarto mais simples para três pessoas com banho privado saía a $6 por cabeça. Caro para os padrões de preços bolivianos mas nenhuma facada. Deu para bancar o “patrão” e descansar um pouco o corpo. Recomendo.

 

Copacabana é uma cidadezinha pequena porém bem estruturada para o turismo. A beira do lado Titicaca em terras bolivianas, e muitíssimo mais agradável que Puno, é a porta de entrada para as Ilhas do Sol e da Lua, agora ilhas do lado Boliviano do lago. A Catedral de Nossa Senhora de Copacabana, padroeira do país, divide espaço com muitas casas de câmbio, restaurantes, cyber café e barzinhos descolados.

Ainda conseguimos neste mesmo dia fazer um passeio até a Ilha do Sol, lado sul. Pegamos um guia local, visitamos uma ruína e voltamos para Copacabana. Tudo muito rápido. Saímos às 13hs e voltamos antes do anoitecer. Se quiser passear, não vá neste passeio de tarde.

O dia foi tão corrido que nem nos demos conta de que estávamos rico. Jantando em um bom restaurantezinho para comemorarmos o encontro nos demos conta de que nossa moeda estava 4 vezes a moeda boliviana (bolivianos é o nome da moeda). Aqui, nós somos europeus. E os europeus são extraterrestres! Esse jantar, um bom jantar, saiu por 26 bol ou nada mais nada menos do que R$6,50.

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Custos
Passeio ida e volta a ilha do Sol : 15 bol
Hotel UTAMA (duas estrelas) : Calle San Antonio com Michel Perez : $6/dia : quarto triplo com banho privado
Janta : 26 bol
net : 12 bol
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