Acordamos e o dia estava nubladaço. Sem chances de um mergulho! E praia, no frio, com tempo nublado não rola. Comçamos a agitar para voltar e conseguimos uma carona (paga) direto para Copa no barco dos velhos xamas das oferendas do dia anterior. Voltamos ao lado de um velhinho xamã-sinistro que era “o tal” das plantas medicinais. Mas era impossível para o senhorzinho entender que não falávamos castelhianos nativo, muito menos aymará. Ele falava em um ritmo frenético que pensei em um possível enfarte dele a qualquer momento. Quando descobriu que eu era fotógrafo, quis me explicar todas as fotos dos livros de plantas medicinais publicados por ele. Desde 1970. Todas as 3135464000…rs Saí com dor de cabeça mas com o espanhol afinadinho e craque em leitura labial.
Chegando a Copacabana, nossa missão era pegarmos um ônibus em direção a La Paz.
Conseguimos comprar as passagens para depois do almoço e neste meio tempo resolvemos ligar para casa.

Dica: descobrimos que sai muito mais barato comprar um cartão para celular pré-pago e utilizar o telefone celular de algum morador. Normalmente no próprio local onde se compra o cartão, o funcionário irá te oferecer o telefone dele.
Antes de sairmos ainda pegamos uma procisão-carnaval.


La Paz não fazia parte do roteiro inicialmente pois não queríamos passar por cidades grandes mas lemos sobre a tal feiras das bruxas, um amigo falou que a cidade era carinhosamente agitada e que valia a visita. Fomos.
Chegamos em La Paz a noitinha e vendo a cidade do alto, a noite, a primeira impressão era estar vendo um grande favelão. Todas as encostas salpicadas de luzes, como os morros cariocas. Dias depois, passando pelo mesmo local de dia, percebi que era apenas um pensamento carregado de preconceito. Na verdade, La Paz se mostrou uma cidade grande como outra qualquer, com toda a dualidade que essa frase pode trazer. Dos bons serviços ao trânsito alucinadamente caótico. Talvez eu quisesse logo ao chegar encontrar de longe e no escuro um Piedra de La Gávea ou um Pan de Azúcar mas até isso o nascer do dia me tranqüilizou. Não, calma. Não havia nenhuma Piedra de la Gávea por lá mas haviam muitos picos nevados rodeando a cidade. Uma paisagem muito bonita de se ver e completamente diferente para mim.
Mas já que eu falei de trânsito, vale ressaltar: puta que pariu! Sim, só isso sintetiza o transito de La Paz. Quem deu o nome de La Paz a cidade com certeza nunca dirigiu por aquelas bandas. Os táxis paravam para embarque e desembarque sem a menor cerimônia, no meio da rua. No meio da rua não é força de expressão não. É no meio da rua mesmo. Literal. Os nossos motoristas de onibus, vans e kombis ficariam ruborizados por lá. O trânsito não é pesado como Rio e SP na hora do rush ( que atualmente se estende das 8hs às 21hs ). O trânsito é caótico mesmo! Não tem engarrafamento, mas fechar um cruzamento lá….pq não? Coisa boba. Preferencial por já estar na rotatória? Esqueça.
Dentre os muitos que poderia citar vou ficar com o exemplo do, carinhosamente apelidado, “estagiário”. Estávamos eu e Lianna no centro da cidade, meio andando a esmo, meio procurando uma sorveteria indicada por um amigo, quando paramos em um cruzamento e começamos a observar o guardinha que comandava o trânsito. Muitas vezes ele mandava os carros pararem, sinalizando com o braço estendido na frente do corpo e a palma da mão aberta (uma espécie de Hi Hitler), e simplesmente os motoristas cagavam para a sinalização dele. Continuavam andando. Ele não perdia a posse: mudava rapidamente o gesto e passava a mandar os motoristas andarem ao invés de pararem. Ou seja, simplesmente ao invés dele controlar o trânsito, o trânsito o controlava. Teorizei que ele deveria ser estagiário.
Se vc pretende alugar um carro por aqui é sério. Não estou fazendo fru-fru com as palavras, nem carregando no peso não. O trânsito aqui não é coisa para amador. Eu jurava que nestes dois dias veria dúzias de batidas de trânsito. Não vi nenhuma mas também não conseguia entender como esses caras se entendiam. Tenho lido um pouco sobre física quaântica aliada a força do pensamento e telepatia. Quem sabe!
Esse post vai ser só bla, bla, bla mesmo. No próximo post coloco os custos do hostal que ficamos, da passagem Copa – La Paz, da janta e e dicas de onde ficar, ok?
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