Trecho 06 – Puno : Copacabana. Atravessando a fronteira

11 02 2008

Dormimos no vilarejo mais próximo a fronteira chamada Junguio. Acordamos cedo, conseguimos trocar alguns soles por bolivianos para nos virarmos momentaneamente assim que entrássemos na Bolívia e lá fomos nós de moto táxi em direção a fronteira.

 

Antes de sair do Brasil, li muitos relatos de falcatruas praticadas pela polícia na fronteira Peru – Bolívia, em ambos os lados. Policiais (mesmo) que exigiam seu passaporte na fila (normalmente em alguma repartição errada que vc tenha entrado) e depois de muita enrolação cobram para devolvê-lo. Ou te levavam para uma salinha e na revista te roubavam algo. Ou pessoas que se diziam policiais mas não apresentavam nenhuma identificação aplicando o mesmo golpe entre inúmeras outras variações de ações semelhantes. Na fronteira, não sentimos nenhum desconforto de que isso poderia acontecer, não vimos à possibilidade de entrar errado em algum outro prédio, vimos muita informação em cartazes nas paredes das repartições na fronteira, todas as pessoas sempre muito solicitas em nos ajudar quando pedíamos informações e quase nunca (nas fronteiras, nunca) éramos os únicos turistas. Quem pega ônibus no Rio de Janeiro, anda a noite pela Lapa, negocia cerveja com camelô na praia e freqüenta jogos no maracanã consegue se safar numa boa dessas furadas para turista. Como a Lianna comentou: faro fino e olho vivo. E só. Se acontecer, saiba se impor com decisão mas sem faltar com a educação, e não de seu passaporte. Esses relatos tomaram um vulto de lenda urbana. Todo tem uma história do vizinho do tio do irmão do cunhado que jura que aconteceu com alguem. Provavelmente logo depois de ter acordado sem um dos rins em uma banheira cheia de gelo. Saí daqui aterrorizado e chegava sempre nas fronteiras rosnado e mordendo por causa isso. Foi uma neura em vão. Todos os casos concretos de falcatruas ou furtos que eu fiquei sabendo, foi mole do roubado. E sempre furto. Nenhum roubo.

Chegamos cedo em Copacabana e encontramos com duas amigas que estavam hospedadas em um hotel duas estrelas chamado UTAMA. Acabamos ficando nele para ficarmos todos juntos. Era um hotel bom com café da manha incluso, restaurante dentro e com frutas (leia banana), biscoitos e chás à vontade (de graça. Self-service) durante 24hs. O quarto mais simples para três pessoas com banho privado saía a $6 por cabeça. Caro para os padrões de preços bolivianos mas nenhuma facada. Deu para bancar o “patrão” e descansar um pouco o corpo. Recomendo.

 

Copacabana é uma cidadezinha pequena porém bem estruturada para o turismo. A beira do lado Titicaca em terras bolivianas, e muitíssimo mais agradável que Puno, é a porta de entrada para as Ilhas do Sol e da Lua, agora ilhas do lado Boliviano do lago. A Catedral de Nossa Senhora de Copacabana, padroeira do país, divide espaço com muitas casas de câmbio, restaurantes, cyber café e barzinhos descolados.

Ainda conseguimos neste mesmo dia fazer um passeio até a Ilha do Sol, lado sul. Pegamos um guia local, visitamos uma ruína e voltamos para Copacabana. Tudo muito rápido. Saímos às 13hs e voltamos antes do anoitecer. Se quiser passear, não vá neste passeio de tarde.

O dia foi tão corrido que nem nos demos conta de que estávamos rico. Jantando em um bom restaurantezinho para comemorarmos o encontro nos demos conta de que nossa moeda estava 4 vezes a moeda boliviana (bolivianos é o nome da moeda). Aqui, nós somos europeus. E os europeus são extraterrestres! Esse jantar, um bom jantar, saiu por 26 bol ou nada mais nada menos do que R$6,50.

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Custos
Passeio ida e volta a ilha do Sol : 15 bol
Hotel UTAMA (duas estrelas) : Calle San Antonio com Michel Perez : $6/dia : quarto triplo com banho privado
Janta : 26 bol
net : 12 bol
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mais imagens em www.flavioveloso.com.br


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