Bom, “si naum guenta porque veio”? De pé, galera! De pé. Café da manhã cedo e estrada.
Seguimos do hotel de Sal em direção a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, a 4278m de altitude. Traduzindo: você achava que estava frio?
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Bom, vou abrir aqui uma quabra no texto para falar um pouco sobre as roupas e a Teoria da Cebola. Com esse frio não adianta “só” colocar um casacão Mega Power. O macete está em colocar várias camadas fechando com o casacão. Eu tinha:
- uma ciroula – ou segunda pele (im-pres-cin-dí-vel!). Cabe no bolso (se eu não em engano paguei R$80 no conjunto ), acha-se aqui no Rio na Loja de Inverno e realmente funciona,
- uma camisa de algodão por cima,
- uma camisa de algodão de manga comprida por cima,
- uma casacão de lã grosso ( mas seu uso só é eficiente pq havia uma manga comprida por baixo e o corta vento por cima – próxima camada da cebola),
- um corta vento sintético por cima ( uma anorak mesmo – bom para ser usado em locais mais quentes, só com uma blusa de algodão),
- e um casacão Mega Power sintético por cima de tudo.
Aí sim, deu para aguentar. Reza a lenda, segundo os nativos, que essa noite fez -25 graus.
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Continuando…
Este dia inteiro é de carro-anda-para-salta-fotografa-entra-carro-anda-para-salta -fotografa. No meio do dia, uma parada um pouco mais longa para o almoço.
Durante o trajeto e as paradas, o local começa a se mostrar, além de todo exotimso do dia anterior, deslumbrante. Inclusive a parada para o almoço é em um local muito bonito. Almoça-se, no meio do deserto, ao lado de uma lagoa colorida, no pé de montanhas com picos nevados ao redor, com alguns grupos de flamingos. Como era inverno, tinha apenas uns gatos pingados. Eu imagino aquilo ali na época que as aves. Deve ser de enlouquecer o visual. Essa raposa na foto acima ficou nos acompanhando no hora do almoço.
Então mais uma vez: abasteca-se de pilhas, regarregue as baterias, limpe os cartões (ou compre filme), grave CDs ou qualquer outra invenção moderna que tenha surgido entre eu escrever e vc ler isso aqui, antes de sair de Uyuni. Vais ficar na mão, sem câmera, no meio do melhor visual de natureza da Bolívia.
Outra dica fotográfica: no frio as pilhas e baterias vão embora muito mais rápido do que estamos acostumados. Tente mante-las, mesmo sem uso, aquecidas. Coloca-las junto ao corpo, nos bolsos internos, ajuda muito. Ou na cueca mesmo, na virilha, como eu faço ( Pronto, ninguem me pede mais baterias emprestada ).
Dentre as atrações deste segundo dia estão algumas das lagoas coloridas e seus flamingos, a árvore de pedra e a própria reserva. Além das muitas paisagens e grupos de vicunhas, lhamas e alpacas que cruzaram o caminho.
Chegando na reserva ainda com luz ( entenda-se sol ), se tiver que comprar alguma coisa nas biroscas do alojamento, vá logo. Não deixe a noite cair e o frio castigar. E resista: a combinação “frio versus bom vinho a preço de banana” pode ser tentadora mas vai se manifestar no dia seguinte. Aprecie com moderação e não abuse da teoria do Cobertor Químico. Queijo também ajuda a esquentar. Como é gorduroso, é necessário gastar energia para digeri-lo. E esse energia gera calor. Se algum fisiologista ler isso aqui, pode explicar melhor.
As meninas estavam inspiradas. Segue abaixo um vídeo que Aline e Lianna gravaram sobre as “dependências” do alojamento.
Bom, depois deste vídeo eu me reservo ao direito de não comentar nada sobre banhos.
Os alojamentos da Reserva da Fauna Andina Eduardo Avaroa nada mais são do que grandes quartos repletos de camas. Tivemos a sorte de ficarmos, em um só quarto, apenas o grupo que estava viajando junto. Tivemos notícias de ocasiões, que por falta de espaço, vários grupos dividiam o mesmo quarto. Mas me pareceu que não é o padrão.
Algumas guloseimas podem ser compradas em biroscas na área do alojamento.
Alguem no alojamento não desligou o alarme do celular, que se esguelou as 5 da matina. Xinguei algumas gerações passadas do cidadão mas já havia despertado. Peguei o equipamento e fui andar. Agradeci quase de joelhos ao gente boa do despertador. Um dia lindo descortinava um intenso céu azul que vinha acompanhado de muita luz dourada. Enfim, fazer as fotos foi mole, mole, mole…Para quem gosta, fica a dica.
Só conseguiram me tirar do meio do mato…ops…da neve depois que as malas já estavam no carro e que todos haviam tomado café. Para os menos empolgados, recomendo pelo menos uns 5 minutinhos de contemplação.
Infelizmente recebemos a notícia que, por causa da neve, a fronteira com o Chile estava fechada e não poderíamos seguir em frente para visitarmos as outras atrações ( que neste caso era na direção da fronteira ). Perdemos os geisers, as termais e algumas outras lagoas. A solução foi voltarmos em direção a Uyuni por outro caminho, podendo parar com mais calma nas atrações ou, por recomendação do guia, pararmos am alguns pontos da estrada para fazermos fotografias. Conseguimos passar por algumas pinturas rupestres, por algumas formações rochosas super diferentes ( que eles chamam de “cidades” ) e cruzamos com grupos de Alpacas e Lhamas. Na verdade, cruza-se com elas durante todo o trajeto. Agora o que elas fazem no meio do nada, pastando numa região super árida, não me pergunte. Pergunte aos flamingos que afundam nas lagoas praticamente congeladas e continuam com aquela cara de “interrogação” como se nada estivesse acontecendo. Esses sim parecem ter o cérebro mais afetado pelo frio que os outros animais.
Não sei se foi melhor ou pior o fechamento da fronteira mas de qualquer forma, mesmo sem fazer o passeio completo, gostamos muito. A beleza natual da região é realmente de impressionar.
De volta a Uyuni, nos hospedamos em um hostel qualquer ( dei a dica de, assim que chegar na cidade, antes de sair para o passeio, visitar alguns para já voltar “na boa”), tomamos um banho, comemos uma pizza e cama. Não esperem muita infra-estrutura em Uyuni: baladas, barzinhos e comidas na madruga não me pareceram o padrão.
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Gastos:
Confesso que eu já começei a relaxar com a anotação dos gastos logo não me lembro quanto pagamos, na volta, no hotel em Uyuni.
Para entrar na reserva, paga-se 30Bs ( mais uma vez: no nosso voucher estava escrito “con tudo incluso” e não tivemos que pagar. Leia os posts anteriores ).
Fora isso, sem muitas opções de gastos além de umas guloseimas no alojamento e a pizza na volta. Gastos normais e sem maiores surpresas.
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