Em Samaipata : Pára-raio de maluco!

25 08 2008

Como tenho sido beeem sucinto com os causos, vou me dar o luxo de deixar mais dois neste post. Se você está somente a procura de dicas, elas estão no final do post, resumidas.

Bom, como escrevi no post anterior, após chegar na cidade, achar um hostel e tomar um banho, fizemos um reconhecimento rápido e fomos atrás de um lugar para jantar. Achamos um restaurantezinho destes feitos para gringos: simples, porém transado e cheios de frufrus. No ambiente, nós, um casal de alemães em outra mesa e uma família com um Vovis (outro vovô muito figura) na outra. Durante todo o tempo, Vovis, que já tinha matado sozinho pelo menos uma garrafa de vinho, perturbou o casal de alemães. Perguntava a todo hora como se falava isso ou aquilo em alemão e repetia para neta na mesa dele. O tempo passou, Vovis cada vez mais “alegre” e os alemães foram embora.

Obvio que eu com meu pará-raio de maluco, não podia escapar ileso. Vovis despachou a família e pra lá de trêbado, puxou uma cadeira e, sem pedir nem titubear, se sentou na minha mesa. Vendo que eu estava tomando cerveja, pediu outra garrafa e um copo para ele… e tome de vovis falar. O que? Sei lá. O que eu consegui entender era que eu era muito amigo dele, que ele adorava ter e fazer amigos. Vendo que eu estava com a Lianna começou a falar de amor e emendou num papo de que poderíamos dormir na casa dele, ou que ele poderia dormir no nosso hostel, e que poderíamos ir na cachoeira juntos no dia seguinte. E metia a mão na perna da Lianna, e me abraçava, e falava que o amor era lindo… Não conseguimos identificar quem Vovis queria comer: eu ou a Lianna. Pedimos a conta pois tinhamos marcado a ida às cachoeiras no dia seguinte. Vovis não nos deixou pagar a conta. Viva Vovis…rs. E quem disse que ele conseguia andar? Terminamos a noite, Lianna de um lado, eu de outro, escorando Vovis cambalenado bêbado igual um gambá, levando-o até o hostel dele. E o detalhe era que ele não sabia onde era. E a cada três passos ele parava para dar uma sambadinha mostrando que já havia vindo ao Brasil. Isso tinha que ter sido filmado: tarde pra cacete, duas pessoas, numa cidadezinha boliviana de 1000 e poucos habitantes, arrastando um Vovo bêbado que não se agüentava em pé, que não sabia onde estava hospedado e ainda assim ele sambava e cantava a cada 20 metros.

Mais um…

No dia seguinte, antes da cachoeira, fomos ao que eles chamam de Zoológico. Na verdade um sítio aonde a moradora cuida de alguns animais achados e apreendidos. Mais um criadouro que um Zoo. Mas não importa o que era. O que importa é que eu fiz um grande amigo neste zoo: Nhonho! Cheguei e logo na entrada avistei um bugio adulto solto. Porra um Bugio!!! Me mato por aqui para conseguir ver um na Serra. Fotografa-lo então, tarefa complicada. E ali eu tinha um a minha disposição. Um pouquinho de transpiração, um esforço para achar um ângulo sem nada urbano atrás, um crop bem dado aqui, um cuidado a mais com o fundo ali e a foto seria “feita” na floresta. Quem estava num cativeiro? Apontei a lente para ele e na hora ele me deu uma encarada, mostrou os dentes e virou o rosto. Relaxei, apontei de novo, mais cara feia, mais dentes a mostra e uma virada de cara pro outro lado. Pronto, esse bicho não está gostando e vai me dar uma porrada. Quem conhece sabe que o Bugio tem um aspecto agressivo. E apesar de não ser, engano bem. Mas vamos lá… foto. Apontei de novo e a mesma atitude. Dentes grandes e afiados, no território dele. Cacete, esse bicho vai me dar um mordida já já… Com tanto bicho solto dando mole, deixei o Bugio de lado. Resolvi ignorá-lo e fui atrás de outros bichos para fotografar. Afastei-me um pouco para ver o que ele faria. Ele me olhava desconfiado e desceu do muro que ele estava sentado e começou a ir na direção da Lianna. Para minha surpresa (e pavor) passou direto e veio na minha direção. Pronto, é agora a mordida. Nhonho senta na minha frente, entre os meus pés, olha para cima e 3 segundos depois estica os braços para cima como que pedindo colo. Quando eu faço menção de dar a mão, ele pega no meu antebraço, e antes que eu fizesse qq coisa, tenho um macaco sentado em cima da minha cabeça. E de lá não saía por nada. Era eu colocá-lo no chão para fotografá-lo que ele vinha para junto das minhas pernas e repetia o ritual. Pronto, havia ganhado um amigo, sentado na minha carcunda, pelas próximas horas. E imaginando quantos piolhos eu ganharia com essa nova amizade. Fora a sensação de saber que um macaco estava com o saco grudado na sua nuca…

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Custos e Dicas

Andorina Hostel: Calle Campero, tel. (3) 944 6333

noilenna@hotmail.com

www.andorinasamaipata.com

Residencial Dom Jorge (onde fiquei) Calle Bolivar, 20. tel: 944 6086 ou 352 4365

Tours Los Helechos : Calle Bolivar, 39. Frente ao Museu. tel. 73163506

tours_loshelechos@hotmail.com

La Chakana : Café e Restaurante : Casilla, 2166. Plaza Principal. Tel.: (591-3) 944 6146

chakanabol@yahoo.com

http://www.geocities.com/chakanabol/cafeteria.htm

Agência-Guia. Alto padrão : http://www.discoveringbolivia.com/inicio.html

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mais imagens em www.flavioveloso.com.br





Trecho 11 – Sucre : Samaipata

8 08 2008

Samaipata é uma cidadezinha, no meio do caminho entre Sucre e Santa Cruz, ainda totalmente fora do circuito turístico tradicional. Nos arredores de um grande parque nacional boliviano, oferece alguns hostels ( um muito bom ), pequenos e bons restaurantes, algumas cachoeiras, muuuita paz e uma fortificação importante na história arqueológica da região.

Como era a última parada da viagem, não havia tempo (nem $$$) para a visitação ao parque. Passeios de três dias ou mais me pareceram bem interessantes para quem curte uma real imersão na natureza. Não é um passeio de pic-nic. É florestão tropical quente e úmido. Fique esperto! Para quem curte é o paraíso, mas pode ser um inferno para quem faz trilha de sapato alto.

Ida e volta: De Sucre, para chegar em Samaipata, não sei se tem um ônibus específico. Pega-se um ônibus Sucre – Santa Cruz e desce no meio do caminho. Da estrada, anda-se poucos metros para entrar no vilarejo. De Santa Cruz tem ônibus específicos para o vilarejo. Informe-se porque o ônibus não sai da rodoviária e sim do terminal Bimodal. Se não estiver sozinho, faça as contas do valor das passagens versus rachar um táxi.

Na volta, existe um ponto de taxi-lotação na estrada, na porta da cidade. Tem-se também o opção de um ônibus, mais barato mas também mais demorado e com a restrição dos horários fixos.

Atrações: pegamos um guia gente boa e no pacote visitamos de manhã , dentro da cidade, uma espécie de cativeiro de reintrodução e na parte da tarde algums cachoeiras. Sobre o “zoológico”, pelo que eu entendi, os animais capturados pelo “IBAMA” são deixados neste sítio para serem reabilitados. Foi lá que começou o meu caso de amor com o barbudinho aí de cima…hahahaha. Minha namorada quem fez essa foto que faz tanto, mas tanto sucesso que tenho que pelo menos colocar o crédito.

As cachoeiras  (especificamente essas que eu visitei) ficam nos arredores da cidade, dentro de uma propriedade particular. Logo, apesar do caminho ser bem marcado, um guia ajuda. Fomos e voltamos de táxi por que não é tão perto assim. Mesmo não estando um sol forte, vale a ida. Barato, perto e bem bacana.

De noite um bom jantar em frente a única pracinha que tem na cidade com um bom vinho por preço de banana.

Para quem volta por Santa Cruz e ainda tem alguns dias para queimar, Samaipata é uma boa pedida. Não tem absolutamente nada de agito. Eu estava num clima mais calmo, com namorada, terminando a viagem…desacelerando. E alem de fotógrafo, tenho um pé na biologia, logo uma cidadezinha calma e no meio do mato era tudo que precisava para finalizar a viagem.

Hospedagem: Ficamos no primeiro hostal de quem entra na cidade. Logo a direita, ao lado de um comércio de material de construção. Bom, simples, com um amplo jardim e sossegado.

Na cidade tem um hostel chamado Andoriña. Visitamos e tomamos café da manhã nele. Muuuuito bom. Iogurte natural, frutas, mel, cereais integrais…além de muitos quadros na parede e livros fotográficos espalhados. Não ficamos nele mas me pareceu ser O hostel.

Vou catar as anotações de guias e locais e as coloco aqui.

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