
Como tenho sido beeem sucinto com os causos, vou me dar o luxo de deixar mais dois neste post. Se você está somente a procura de dicas, elas estão no final do post, resumidas.
Bom, como escrevi no post anterior, após chegar na cidade, achar um hostel e tomar um banho, fizemos um reconhecimento rápido e fomos atrás de um lugar para jantar. Achamos um restaurantezinho destes feitos para gringos: simples, porém transado e cheios de frufrus. No ambiente, nós, um casal de alemães em outra mesa e uma família com um Vovis (outro vovô muito figura) na outra. Durante todo o tempo, Vovis, que já tinha matado sozinho pelo menos uma garrafa de vinho, perturbou o casal de alemães. Perguntava a todo hora como se falava isso ou aquilo em alemão e repetia para neta na mesa dele. O tempo passou, Vovis cada vez mais “alegre” e os alemães foram embora.
Obvio que eu com meu pará-raio de maluco, não podia escapar ileso. Vovis despachou a família e pra lá de trêbado, puxou uma cadeira e, sem pedir nem titubear, se sentou na minha mesa. Vendo que eu estava tomando cerveja, pediu outra garrafa e um copo para ele… e tome de vovis falar. O que? Sei lá. O que eu consegui entender era que eu era muito amigo dele, que ele adorava ter e fazer amigos. Vendo que eu estava com a Lianna começou a falar de amor e emendou num papo de que poderíamos dormir na casa dele, ou que ele poderia dormir no nosso hostel, e que poderíamos ir na cachoeira juntos no dia seguinte. E metia a mão na perna da Lianna, e me abraçava, e falava que o amor era lindo… Não conseguimos identificar quem Vovis queria comer: eu ou a Lianna. Pedimos a conta pois tinhamos marcado a ida às cachoeiras no dia seguinte. Vovis não nos deixou pagar a conta. Viva Vovis…rs. E quem disse que ele conseguia andar? Terminamos a noite, Lianna de um lado, eu de outro, escorando Vovis cambalenado bêbado igual um gambá, levando-o até o hostel dele. E o detalhe era que ele não sabia onde era. E a cada três passos ele parava para dar uma sambadinha mostrando que já havia vindo ao Brasil. Isso tinha que ter sido filmado: tarde pra cacete, duas pessoas, numa cidadezinha boliviana de 1000 e poucos habitantes, arrastando um Vovo bêbado que não se agüentava em pé, que não sabia onde estava hospedado e ainda assim ele sambava e cantava a cada 20 metros.

Mais um…
No dia seguinte, antes da cachoeira, fomos ao que eles chamam de Zoológico. Na verdade um sítio aonde a moradora cuida de alguns animais achados e apreendidos. Mais um criadouro que um Zoo. Mas não importa o que era. O que importa é que eu fiz um grande amigo neste zoo: Nhonho! Cheguei e logo na entrada avistei um bugio adulto solto. Porra um Bugio!!! Me mato por aqui para conseguir ver um na Serra. Fotografa-lo então, tarefa complicada. E ali eu tinha um a minha disposição. Um pouquinho de transpiração, um esforço para achar um ângulo sem nada urbano atrás, um crop bem dado aqui, um cuidado a mais com o fundo ali e a foto seria “feita” na floresta. Quem estava num cativeiro? Apontei a lente para ele e na hora ele me deu uma encarada, mostrou os dentes e virou o rosto. Relaxei, apontei de novo, mais cara feia, mais dentes a mostra e uma virada de cara pro outro lado. Pronto, esse bicho não está gostando e vai me dar uma porrada. Quem conhece sabe que o Bugio tem um aspecto agressivo. E apesar de não ser, engano bem. Mas vamos lá… foto. Apontei de novo e a mesma atitude. Dentes grandes e afiados, no território dele. Cacete, esse bicho vai me dar um mordida já já… Com tanto bicho solto dando mole, deixei o Bugio de lado. Resolvi ignorá-lo e fui atrás de outros bichos para fotografar. Afastei-me um pouco para ver o que ele faria. Ele me olhava desconfiado e desceu do muro que ele estava sentado e começou a ir na direção da Lianna. Para minha surpresa (e pavor) passou direto e veio na minha direção. Pronto, é agora a mordida. Nhonho senta na minha frente, entre os meus pés, olha para cima e 3 segundos depois estica os braços para cima como que pedindo colo. Quando eu faço menção de dar a mão, ele pega no meu antebraço, e antes que eu fizesse qq coisa, tenho um macaco sentado em cima da minha cabeça. E de lá não saía por nada. Era eu colocá-lo no chão para fotografá-lo que ele vinha para junto das minhas pernas e repetia o ritual. Pronto, havia ganhado um amigo, sentado na minha carcunda, pelas próximas horas. E imaginando quantos piolhos eu ganharia com essa nova amizade. Fora a sensação de saber que um macaco estava com o saco grudado na sua nuca…
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Custos e Dicas
Andorina Hostel: Calle Campero, tel. (3) 944 6333
noilenna@hotmail.com
Residencial Dom Jorge (onde fiquei) Calle Bolivar, 20. tel: 944 6086 ou 352 4365
Tours Los Helechos : Calle Bolivar, 39. Frente ao Museu. tel. 73163506
tours_loshelechos@hotmail.com
La Chakana : Café e Restaurante : Casilla, 2166. Plaza Principal. Tel.: (591-3) 944 6146
chakanabol@yahoo.com
http://www.geocities.com/chakanabol/cafeteria.htm
Agência-Guia. Alto padrão : http://www.discoveringbolivia.com/inicio.html
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mais imagens em www.flavioveloso.com.br

Olá, Flavio, tudo bem? Meu nome é Patrícia, sou jornalista e editora da Revista MotorHome.
Dias atrás estava editando uma matéria sobre uma viagem pela Transoceânica e entrei na net para buscar um mapa decente do ‘trajeto’ em si. Deparei-me com seu site e comecei a ler. Já nas primeiras linhas seu senso de humor chega ao ponto de seduzir o leitor de tal forma, que fica impossível não ler mais e mais.
Parabéns. Belíssimas fotos, ótimos textos, dicas incríveis.
A cena do bugio está na minha memória como se eu estivesse participado da história.
heheheh
Abraços!
Oi Patrícia, tudo bom?
Que bom que vc gostou. Ainda mais sendo jornalista. Tinha uma certa insegurança em escrever, mas já desencanei com isso.
Esse bugio (Nhonho) faz um sucesso inimaginável!!!
Queria dar uma olhada na revista. Tenho muita vontade de ter um motorhome. Está nas bancas?
Outra coisa: seu site não abriu para mim.
cordialmente
Flavio Veloso
Desculpe, Flavio, mas o nosso site está temporariamente fora do ar. “Problemas técnicos”.
A revista é comercializada em bancas aqui do Sul (RS/SC/PR), porém temos assinantes do Brasil inteiro.
O que eu poderia fazer é lhe enviar um exemplar para que você conhecesse a revista.
Abraços,
Patrícia.