Promessa é dívida: o roteiro e dicas objetivas.
Bom, quem já andou fuçando por aqui, percebeu que apesar de passar por muitos locais clássicos, meu roteiro não foi o mais popular. Muitos brasileiros fazem a Bolívia e o Peru subindo por Mato Grosso, entrando na Bolívia de Trem por Santa Cruz de La Sierra, rodando e voltando pelo mesmo caminho.
Optei por um roteiro alternativo que me daria à oportunidade de conhecer outros locais e dinamizaria o trajeto, já que todo caminho seria o de descida e não voltaria pelo mesmo local de ida. Ou seja, cheguei direto ao ponto mais ao norte do roteiro (no meu caso Cuzco) e vim descendo até o Rio.
ROTEIRO
Voei Rio de Janeiro – Rio Branco, Acre
Cheguei às 23hs, dormi em frente à rodoviária e saí às 6hs da manhã.
Ônibus Rio Branco – Brasiléia + táxi para Puerto Maldonado (Peru)
Pernoite em Puerto Maldonado.
Ônibus Puerto Maldonado – Cuzco
Dorme-se no ônibus. 20hs de viagem.
Cuzco – Ollantaythambo
Optei por um pernoite em Ollantaythambo. A cidade é bem interessante e pagaria mais barato pelo trem.
Trem Ollantaythambo – Águas Calientes (Machu Picchu)
Pernoite em Águas Calientes
Águas Calientes – Puno
Trem de volta a Ollantaythambo, táxi até Cuzco e ônibus até Puno.
Pernoite em Puno.
Puno – Passeio as ilhas do Lago Titicaca, lado Peruano (Uros, Amantani e Taquile).
Passeio de uma noite e dois dias. Pernoite em Amantani na casa de nativos. Dia seguinte almoço em Taquile, e de volta a Puno ao fim do dia.
Pernoite em Puno.
Puno – Copacabana (Bolívia).
Ônibus. Atravessa-se a fronteira.
Copacabana – Ilha do Sol
Barco. Um pernoite no lado sul da ilha e outra no lado norte.
Ilha do Sol – Copacabana – La Paz
Voltei do lado Norte (o mais afastado) para Copacabana, de barco.
La Paz – Uyuni
Usei a viação Todo Turismo. 12hs de viagem.
Uyuni – Potosi
Potosi – Sucre
Sucre – Samaipata
Samaipata – Santa Cruz de La Sierra
Santa Cruz – Quijarro – Corumbá – Rio de Janeiro
Trecho Santa Cruz – Quijarro de Trem da Morte. Quijarro – Corumbá, lotação de turismo. Corumbá – Rio de Janeiro, ônibus.
- TEMPO: 40 dias de viagem, entre Julho e Agosto.
- GASTOS: R$3500 contando absolutamente tudo. Desde as muambas compradas em Potosi, passagem aérea para Rio Branco, a coxinha na rodoviária de Rio Branco… enfim, tudo mesmo! Esse valor poderia cair para quase a metade. As meninas que foram comigo fizeram praticamente o mesmo passeio que eu e gastaram cerca de R$2300. Gastei por conta porque era o que eu havia separado para a viagem. E dinheiro na mão é vendaval.
- CARTEIRA DE IDENTIDADE E PASSAPORTE: outro assunto eternamente debatido nas listas. Minha opinião pessaol é que se deve tirar o passaporte. Apesar de sim, você pode ir com a sua identidade sem problemas, o passaporte é um documento internacional. Deve-se tira-lo para essa e para outra viagem qualquer que você possa fazer. Evita qualquer abuso de um guarda mal informado (ou mal intencionado).
- AOS FOTÓGRAFOS:
- Não tive nenhum problema com equipamento digital no frio extremo. Mas todo cuidado com as baterias é pouco. Recarregue-as sempre que puder.
- Local para descarregar cartões e fazer backup tem mais do que qualquer outro estabelecimento. Utilize sua resolução máxima e desencane com espaço de armazenamento.
- Tive problemas com as lâminas do diafragma de uma de minhas lentes. E em nenhum lugar achei nem assistência técnica, nem lojas que sonhassem ter uma lente EOS. Na verdade, nem lentes EOS nem nada um pouquinho alem de filmes, cartões de memória ou maquinas descartáveis para gringos. Queria ver se achava um polarizador e nem cheiro de um. Incluo La Paz nesta lista, que é uma cidade grande e uma “pseudo-capital”. Portanto, tendo problemas com equipamento, relaxe. Busque soluções com o que você tem em mãos. Eu havia levado uma 50m 1.8 (que reclamo sempre dela porque nunca a uso). Foi a salvação.
- Se não passa pela sua cabeça pagar para fotografar, fique esperto. Todos são muito simpáticos, mas ou não curtem ser fotografados e/ou, normalmente, cobram para deixarem. Levei daqui algumas figurinhas de futebol e muitas barrinhas de cereais para abrir alguns sorrisos deles e obturadores meus, com as crianças.
- Tente acordar cedo. Além da luz espetacular, a maioria das cidades turísticas da região é viva. É de manhã, quando os turistas ainda estão dormindo, que ela se parece mais autêntica. Os figuras que você encontrará neste horário, não estarão ali “para inglês ver”.
- CÂMBIO: esse assunto é muito debatido em várias listas de discussão e nunca se chega a um consenso. A experiência aqui é pessoal e não foi o amigo do amigo do primo do vizinho do sobrinho do cunhado que me disse. O melhor câmbio que eu consegui foi sacando diretamente, através do cartão de crédito, na moeda local. Antes de sair daqui, tens que ver qual a taxa cobrada pela sua operadora junto ao seu banco. Varia muito. No meu caso era cobrado um valor fixo a cada saque. Uma das vantagens nesse caso é não sair do Brasil com todo dinheiro e tornar-se um “banco” ambulante. Além de diminuir o stress de ter que freqüentar casas de câmbio, discutir cotação, achar que esta sendo enrolado… Saca-se direto na moeda local, pela cotação oficial do banco, em caixas eletrônicos espalhadas em todos os locais. Simples assim. A desvantagem é que se só tiver um cartão e der pau com ele, fudeu.
- ECONOMIZANDO COM COMIDA: sem dúvida os locais mais baratos ficam ao redor dos mercados municipais. Também é muito comum os hostel oferecerem a cozinha para uso dos hóspedes. Nem sempre vale a pena economizar na comida. Com nossa moeda forte, come-se bem e barato (para o nosso bolso) em bons restaurantes. E bebe-se também. Bons vinhos têm preços pra lá de convidativos. De qualquer maneira, a visita aos mercados é obrigatória.
- O MUNDO DE CABEÇA PARA BAIXO: falar de mochilão a aliar a isso muito luxo é um contra-senso. Mas conversando com um conhecido, achei o máximo o ponto de vista dele. Ele iria para um dos hotéis mais luxuoso de La Paz. Questionei que sairia muito caro e que com essa grana ele passaria mais uns bons dias viajando. Ele argumentou que em nenhum outro local do mundo ele conseguiria passar alguns dias de rei num super hotel, sem ter que deixar um braço como pagamento. E que na Bolívia ele conseguiria. Depois parei para pensar e vi que apesar de uma visão pouco comum, ele estava coberto de razão. Viu uma situação usual com um olhar diferente e criou uma solução completamente plausível. Ciência pura!

