Em Uyuni: mais um dia

25 06 2008


Bom, “si naum guenta porque veio”? De pé, galera! De pé. Café da manhã cedo e estrada.

Seguimos do hotel de Sal em direção a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, a 4278m de altitude. Traduzindo: você achava que estava frio?

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Bom, vou abrir aqui uma quabra no texto para falar um pouco sobre as roupas e a Teoria da Cebola. Com esse frio não adianta “só” colocar um casacão Mega Power. O macete está em colocar várias camadas fechando com o casacão. Eu tinha:

  1. uma ciroula – ou segunda pele (im-pres-cin-dí-vel!). Cabe no bolso (se eu não em engano paguei R$80 no conjunto ), acha-se aqui no Rio na Loja de Inverno e realmente funciona,
  2. uma camisa de algodão por cima,
  3. uma camisa de algodão de manga comprida por cima,
  4. uma casacão de lã grosso ( mas seu uso só é eficiente pq havia uma manga comprida por baixo e o corta vento por cima – próxima camada da cebola),
  5. um corta vento sintético por cima ( uma anorak mesmo – bom para ser usado em locais mais quentes, só com uma blusa de algodão),
  6. e um casacão Mega Power sintético por cima de tudo.

Aí sim, deu para aguentar. Reza a lenda, segundo os nativos, que essa noite fez -25 graus.

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Continuando…

Este dia inteiro é de carro-anda-para-salta-fotografa-entra-carro-anda-para-salta -fotografa. No meio do dia, uma parada um pouco mais longa para o almoço.

Durante o trajeto e as paradas, o local começa a se mostrar, além de todo exotimso do dia anterior, deslumbrante. Inclusive a parada para o almoço é em um local muito bonito. Almoça-se, no meio do deserto, ao lado de uma lagoa colorida, no pé de montanhas com picos nevados ao redor, com alguns grupos de flamingos. Como era inverno, tinha apenas uns gatos pingados. Eu imagino aquilo ali na época que as aves. Deve ser de enlouquecer o visual. Essa raposa na foto acima ficou nos acompanhando no hora do almoço.

Então mais uma vez: abasteca-se de pilhas, regarregue as baterias, limpe os cartões (ou compre filme), grave CDs ou qualquer outra invenção moderna que tenha surgido entre eu escrever e vc ler isso aqui, antes de sair de Uyuni. Vais ficar na mão, sem câmera, no meio do melhor visual de natureza da Bolívia.

Outra dica fotográfica: no frio as pilhas e baterias vão embora muito mais rápido do que estamos acostumados. Tente mante-las, mesmo sem uso, aquecidas. Coloca-las junto ao corpo, nos bolsos internos, ajuda muito. Ou na cueca mesmo, na virilha, como eu faço ( Pronto, ninguem me pede mais baterias emprestada ).

Dentre as atrações deste segundo dia estão algumas das lagoas coloridas e seus flamingos, a árvore de pedra e a própria reserva. Além das muitas paisagens e grupos de vicunhas, lhamas e alpacas que cruzaram o caminho.

Chegando na reserva ainda com luz ( entenda-se sol ), se tiver que comprar alguma coisa nas biroscas do alojamento, vá logo. Não deixe a noite cair e o frio castigar. E resista: a combinação “frio versus bom vinho a preço de banana” pode ser tentadora mas vai se manifestar no dia seguinte. Aprecie com moderação e não abuse da teoria do Cobertor Químico. Queijo também ajuda a esquentar. Como é gorduroso, é necessário gastar energia para digeri-lo. E esse energia gera calor. Se algum fisiologista ler isso aqui, pode explicar melhor.

As meninas estavam inspiradas. Segue abaixo um vídeo que Aline e Lianna gravaram sobre as “dependências” do alojamento.

Bom, depois deste vídeo eu me reservo ao direito de não comentar nada sobre banhos.

Os alojamentos da Reserva da Fauna Andina Eduardo Avaroa nada mais são do que grandes quartos repletos de camas. Tivemos a sorte de ficarmos, em um só quarto, apenas o grupo que estava viajando junto. Tivemos notícias de ocasiões, que por falta de espaço, vários grupos dividiam o mesmo quarto. Mas me pareceu que não é o padrão.

Algumas guloseimas podem ser compradas em biroscas na área do alojamento.

Alguem no alojamento não desligou o alarme do celular, que se esguelou as 5 da matina. Xinguei algumas gerações passadas do cidadão mas já havia despertado. Peguei o equipamento e fui andar. Agradeci quase de joelhos ao gente boa do despertador. Um dia lindo descortinava um intenso céu azul que vinha acompanhado de muita luz dourada. Enfim, fazer as fotos foi mole, mole, mole…Para quem gosta, fica a dica.

Só conseguiram me tirar do meio do mato…ops…da neve depois que as malas já estavam no carro e que todos haviam tomado café. Para os menos empolgados, recomendo pelo menos uns 5 minutinhos de contemplação.

Infelizmente recebemos a notícia que, por causa da neve, a fronteira com o Chile estava fechada e não poderíamos seguir em frente para visitarmos as outras atrações ( que neste caso era na direção da fronteira ). Perdemos os geisers, as termais e algumas outras lagoas. A solução foi voltarmos em direção a Uyuni por outro caminho, podendo parar com mais calma nas atrações ou, por recomendação do guia, pararmos am alguns pontos da estrada para fazermos fotografias. Conseguimos passar por algumas pinturas rupestres, por algumas formações rochosas super diferentes ( que eles chamam de “cidades” ) e cruzamos com grupos de Alpacas e Lhamas. Na verdade, cruza-se com elas durante todo o trajeto. Agora o que elas fazem no meio do nada, pastando numa região super árida, não me pergunte. Pergunte aos flamingos que afundam nas lagoas praticamente congeladas e continuam com aquela cara de “interrogação” como se nada estivesse acontecendo. Esses sim parecem ter o cérebro mais afetado pelo frio que os outros animais.

Não sei se foi melhor ou pior o fechamento da fronteira mas de qualquer forma, mesmo sem fazer o passeio completo, gostamos muito. A beleza natual da região é realmente de impressionar.

De volta a Uyuni, nos hospedamos em um hostel qualquer ( dei a dica de, assim que chegar na cidade, antes de sair para o passeio, visitar alguns para já voltar “na boa”), tomamos um banho, comemos uma pizza e cama. Não esperem muita infra-estrutura em Uyuni: baladas, barzinhos e comidas na madruga não me pareceram o padrão.

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Gastos:

Confesso que eu já começei a relaxar com a anotação dos gastos logo não me lembro quanto pagamos, na volta, no hotel em Uyuni.

Para entrar na reserva, paga-se 30Bs ( mais uma vez: no nosso voucher estava escrito “con tudo incluso” e não tivemos que pagar. Leia os posts anteriores ).

Fora isso, sem muitas opções de gastos além de umas guloseimas no alojamento e a pizza na volta. Gastos normais e sem maiores surpresas.

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mais imagens em www.flavioveloso.com.br





Em Uyuni : passeio de 3 dias

5 05 2008

Tomando como base tudo que visitei e os passeios que não fui mas tomei conhecimento, digo: o Salar de Uyuni é a Machu Picchu da Bolívia. Soa meio piegas mas vou explicar porque estou dizendo isso.

História ( antropológica e geológica ) e paissagens de emudecer, assim como me senti em Machu Picchu. Já escrevi isso aqui mas a grandiosidade da cidade sagrada própriamente dita me deixou tão fascinado quanto o local aonde ela se encontrava. Esse espanto tambem aconteceu no Salar.

Não conseguia imaginar o que seriam milhares de kilometros quadrados de sal. Também não imaginava como seria uma piscina de água termal no meio do deserto gelado e nunca havia visto neve. Neve mesmo, não aquela casquinha branca que acontece em Itaitiaia. Olhar para todos oa lados e ver branco ( o branco aqui da foto “ainda” é sal, ok?). Graças ao Zé Colméia (ou seria o Pica Pau), os geisers eu conhecia de vista, mas com pouquíssima intimidade.

A formação do Salar propriamente dito se deve ao represamento, proveniente da tectônia de placas ( use o google ) de um antigo braço do ocêano Pacífico, que primeiramente formou um lago e, aliado a um índice de evaporação muito maior do que a precipitação resultou num enorme campo aberto com kilometros quadrados de sal. Pare ser mais exato, 12.000 km2. A cidade do Rio tem 1.200!!! ( fonte: IBGE )

O primeiro local a ser visitado é um cemitério de trens, ainda nos arredores da cidade de Uyuni.

De lá seguimos para a Ilha do Pescado (ou IncaHuasi). No meio do caminho, uma pequena parada em um Museu de Sal. Pagase para entrar. Fique esperto que só te avisarão na saída. Nada demais. Nem o preço, nem o pequeno museu. Como somos turista, tudo vale.

Também paramos em uma salina ( ironico se vc pensar que qualquer lugar ali é uma salina).

Rumo a Isla del Pescado, se tem noção da grandiosidade do salar. O carro trafega por cima de puro sal, enquanto no horizonte, em 360 graus, não a nada alem de sal.

Ficamos impressioando com o senso de orientação dos guias, já que nenhum ponto de referência é avistado. Ótimo para se dormir ao volante…rs. Nosso guia-motorista-cozinheiro-faz tudo nos mostrou isso na prática introduzindo um certo radicalismo ao nosso bucólico passeio. Escutar um ronco vindo da direção do volante não é algo que estamos acostumados no trânsito carioca.

Na Ilha do Pescado, todo o surrealismo até então onipresnte se intensifica. Apesar de estamos a 4000m de altitude e bem longe do mar, um enorme afloramente de corais, testemunhas fóssies do antigo assolho ocêanico soerguido com o choque das placas, surge em meio a kilometros quadradas de sal. E esses corais, como única fonte de “matéria orgânica” na região foram colonizados por enormes cactos, dominantes no local.

Em resumo temos um afloramento de coral, com uma monocultura de cactos gigantes em meio a kilometros de sal. Salvador Dali ficaria orgulhoso.

Paga-se 10 bolivianos pela visita.

Depois de cada um andar pelo afloramento, o almoço é servido ali mesmo. Nossa guia-motorista-cozinheiro-faz tudo não nos decepcionou. Estavamos muito desconfiados de como seria a alimentação neste três dias de passeio e nos surpriendemos nos alimentando melhor do que nas cidades.

Próxima parada: hotel de sal. Não tem muito mais o que dizer além disso: é um hotel de sal. Paredes, bancos, mesas, absolutamente tudo feito com tijolos de sal. Sim, eu lambi uma parede sim. O chão? De sal grosso. Calma, esse eu não lambi. Mas adoraria fazer um churrasco ali só para deixar a carne cair!

Infraestrutura básica, simples e tranquilo. Banho quente ( leia a nota no rodapé do post ) e roupa de cama para o frio ( mas nem sonhe em não levar seu saco de dormir ). Aliado a uma boa janta e um dia inteiro de chacoalho dentro do carro, rendem uma boa noite de sono. No fundo, no fundo, é um alojamento “perfumado”. Vale dar uma saída a noite para ver o céu.

Jantamos e novamente Vovis mandou muito bem. A comida estava maravilhosa.

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Custos

Se no seu Volcher não estiver escrito que o hotel de sal é “con todo inlcuso”, terá que pagar uma taxa para o banho quente.

A mesma teoria serve para a taxa de visitação a Isla del Pescado. 10 Bs.

Fora isso, quase não se tem a opção de gasto neste dia.

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