Trecho 10 : Potosi – Sucre

30 07 2008

Ficamos apenas um dia em Potosi ( uma pernoite ) e rumamos para Sucre.

Sucre fica bastante proxima a Potosi. Nos contaram que os donos das minas de Potosi ( as maiores de prata do mundo ) eram moradores de Sucre. Ou seja, toda a riqueza gerada pelas minas da cidade vizinha eram investidas e usadas pela elite de Sucre. A fato de ser a capital do país ( sim, acredite: não é La Paz. ) com uma elite atuante e com dinheiro constantemente circulando, a cidade facilmente tomou ares europeu, atualmente ainda muito bem preservados. Grandes praças arborizadas, estilo colonial muito forte, imponentes prédios e casarões branquinhos com suas pequenas varandas para rua… Adorei também o fato de ser uma cidade viva: escolas, univercidades, hospitais, bancos, bares e restaurantes, shows de música, e sem nem sombra do caos característico de La Paz.

Fiquei particularmente encantado com a praça principal da cidade ( Plaza Mayor ). Com uma estátua enorme de Simon Bolivar e alguns leões de cobre em tamanho natural – montados por crianças meladas de picolé que frequentam a praça, rodeada por jardins muito bem cuidados. Muito frequentada por crianças, famílias, velhos, jovens e casais. Rodeada por restaurantes, sorveterias, cafés, um cinema e alguns prédios governamentais.

Fiquei algum tempo sentado apenas observando o tempo passar. Apesar de uma ótima infra-estrutura para o turismo, Sucre me pareceu manter um equilíbrio bem interessante. Não é a torre de babel encontrada em Cuzco ou La Paz ao mesmo tempo que oferece todos os tipos de serviço ao turista. Bons restaurantes, sorveterias, algumas fábricas de chocolate ( sério!!! ), cinema ( Piratas do Caribe III em espanhol sem legenda = curso intensivo de linguagem corporal ). Isso não é nenhuma crítica a Cuzco que é uma das cidades mais encantadores que devem existir nas Américas mas, Sucre sendo a última “atração turística” da viagem, foi ótima essa desaceleração. Curtir com a namorada uma cidade mais calma, uma temperatura mais quente, andar a pé sem neurosse, muito menos poluição sonora… Enfim, me encantei com Sucre.

Fomos abordados nos arredores da praça por funcionários do Parque dos Dinossauros que fica nos imediações da cidade. Não sabíamos de antemão mas as maiores trilhas de pegadas fossilizadas do mundo ficam em Sucre. Fomos de DinoMóvel. Ótimo para quem curte um pouco de geologia como eu. Algumas réplicas de dinossauros em tamanho natural além das óbvias pegadas. Uma pena que a vista para as pegadas seja de tão longe ( não se iluda com a foto abaixo ). Em compensação me parece que o parque está em bem melhores condições que no passado. Encontrei tudo absolutamente novinho, novinho e li vários relatos de que antigamente estava tudo muito largado.


Pegamos um festival de bandas ( uma espécie de rock and blues boliviano ) nos arredores da praça. Palco na rua, rua fechada, bares com mesas do lado de fora, barracas de comida… Me parece que não foi tanta sorte assim. A vida cultural em Sucre me pareceu ser intensa e festas desse tipo constantes.

Como já escrevi acima, resolvemos que eramos quase andinos e fomos com nosso “portunhol fluente” assistir, numa matine domingueira de sol, Piratas do Caribe III no cinema. Era a semana da estréia. Cinemão na praça LO-TA-DO! Agora vocês tem noção do que é um polvo falando em espanhol sem legenda? E porque o mané dop Jack Saparrow tem que falar tão rápido? Ele não podia falar deeeevaaagaaar? Foi ridículo eu quase tendo um colapso cerebral para entender, saindo fumaça da minha cabeça, e de repente todo o cinema cair na gargalhada! Eu e Lianna nos olhávamos com cara de interrogação. E de repente sem mais nem menos alguma coisa explodia. E tome cara de interrogação… Na primeira oportunidade ao voltar ao Brasil eu assiti ao filme novamente.

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Dicas e Gastos

Gostei muito do Hostal que fiquei. Foi um dos acertos e por isso está sendo recomendado. Fica em um grande casarão colonial bem preservado, café incluso, possibilidade de uso da cozinha, internet, jardins espaçosos e quartos para todos os bolsos. E bem perto ( a pé ) da Plaza Mayor.

LINK DO HOSTAL

popayan@boliviahostels.com – calle LOA Nº 881 esquina COLON – Sucree

Perto da Plaza também estão o Mercado Central e algumas lojas das fábricas de chocolate. Alem das outras atrações escritas mais acima. Mesmo não ficando no hostal indicado, ficaria por perto.

O DinoMóvel sai dos arredores da praça. Não de mole de pegar o último horário porque o parque fecha cedo e fica um pressão para ir embora. Acabei fazendo o passeio na correria por isso.

Almoçamos algunas dias em um reastaurente muuuuito bom, na parte de trás da praça. Vc de frente para a estátua do Bolivar ( de frente hein…cara a cara), o restaurante está atrás dela, um pouco a esquerda. Fica no segundo andar. São umas varandas vermelhas. Escolha uma mesa na varanda, peça uma boa carne com cerveja e seja feliz. Cuidado que a comida é farta!

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Em La Paz : dicas práticas

26 03 2008
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Conforme prometido no post anterior, algumas dicas práticas de La Paz:

Hospedagem: ficamos na Calle Sagárnaga. Point! Chegamos cansados e não tivemos paciência para procurar. Nos hospedamos em um hostal bem xumbreguinha na Sagárnaga, 334 chamado “Alem”. Nos arrependemos. Vale pesquisar outros. Tem muitos na região. Descendo a Sagarnaga e entrando na Calle Linhares, do lado esquerdo tem um bem simpático: Hotel Fuentes ( linhares, 888 ). Ficamos ao lado do Hotel Sagarnaga ( 326 ) , grande e famoso que dá para usa-lo como ponto de referência para o táxi.

Uma outra abordagem um pouco mais dispendiosa mas nem por isso menos interessante como experiência é ficar em um 5 estrelas. Encontramos uns camaradas de Brasília que ficariam no melhor hotel de La Paz. Uma espécie de Fasano ou Copacabana Palace deles. Num primeiro momento achei desperdício de grana e muito esbanjamento. Po, com a grana que eles gastariam de hospedagem, eles poderiam conhecer outros lugares e viajar mais uma semana no mínimo!!! Mas depois parei para pensar: pq não? Em que outro lugar eles poderiam fazer isso? Nosso real vale muito perante ao boliviano (moeda). Isso aliado ao baixo custo de vida nos deixa numa situação bem confortável financeiramente falando. Parei para pensar e percebi que no fundo os caras estavam certíssimos. Pegaram uma situação comum e enxergaram de maneira completamente diferente do usual e totalmente aplicável. Pura ciência!

Point: Aconselho ficar nesta rua ( Sagarnaga ) ou nas imediações. O local atende a todos os gostos e bolsos com uma estrutura misturada entre locais totalmente voltado para os turístas (cyber e hostals) com comércios locais de rua. Desde hospedagens boas à pulgueiros. De bons restaurantes à bandeijões e salgados de 0.50 bolivianos ( isso mesmo: menos de 0.20 centavos de real ). De lojas transadas vendendo roupas de marca à imensos camelódromos vendendo roupas de marca também ( rs…).

Um pausa sobre esse item das lojas de roupas, mas precisamente artigos esportivos. Como dito anteriormente, nossa grana vale muito e os preços deles são baixos. Para se ter uma idéia, encontrei a camisa da seleção brasileira lá por $70. Nike, original. Estou falando de loja, não camelo. Aqui, vi essa semana ( mar/2008), por R$265. Mágica? Não. Uma das máximas da ecônomia: simplesmente custava lá o que eles podiam pagar. Não tenho coragem de dar R$150 numa camisa de elastano da Nike. Ok, é muito confortável por causa do Elastano, não amarrota tanto, não esgarça, muito tecnologia aplicada…foda-se! Continua sendo uma camisa de quase-algodão. Não pode custar quase meio salário mínimo! Mas lá, por $16, $20, $22: me fartei! Para quem gosta, fica a dica: dry-fits, tênis e camisa seleção por preços acessíveis. Só senti segurança para comprar numa loja chamada Fair Play. Uma ilha de originalidade em meio a muita falsificação. Ali eu garanto. Neste momento que escrevo essas linhas, já tenho as camisas a 1 ano e continuam como novas. As que eu comprei ali são originais. Endere;co no fim do post.

$$$: apesar de em La Paz existir um Banco do Brasil, nem cheguei perto. Correndo o risco de me tornar repetitivo mas como um professor meu dizia que para uma boa aula era necessário dizer o óbvio e repetir três vezes, lá vai: o melhor câmbio que se consegue é sacando direto do caixa eletrônico. É necessário ter um sinal de “plus” tanto no cartão quanto na máquina- alem de ser internacional e ter sido autorizado pelo banco. Pode se optar por sacar em dólares ou na moeda local ( o ideal ) pela taxa de câmbio oficial. Pesquise a taxa de uso com a administradora do seu cartão. Varia muito. No meu caso a taxa era fixa por saque. Não valia a pena sacar pingado. Em outros bancos, nem taxa tem. Escrevi isso tudo para dizer que na Sagárnaga, 326 tem um caixa desses.

La Paz: a primeira impressão que se tem é de uma cidade muito caótica. E é. Mas nem por isso pouco agradável. Sendo turístas tudo fica “mais leves”. Desça a Sagarnaga e saia batendo perna pelo centro da cidade. Sem rumo. Pare numa padaria qualquer no centro e faça um lanche. Entre nas livrarias. Se estiver com disposição, Tio Evo mora logo ali. Passe lá e peça nossas refinarias de volta. Dizem que a vida noturna é agitada. Não sou noturno e nao fui em nada por lá, logo se tocar rock boliviano e flautinha elétrica não tenho nada com isso.

Passeios: La Paz é base para vários. Fomos no Chalcantaya, a estação de esqui mais alta do mundo ( e dasativada pela regressão da geleira ) e no vale da Lua. Segundo o guia, essa formação se deu devido ao um lago que foi pouco a pouco escoando e a percolação da água em seu leito acabou dando esse formato característico. Complicado de explicar com palavras: foto!

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Chalcantaya, para um carioca que achava que neve era aquela casquinha branca que amanhecia em Itatiaia, vale. Se der a sorte que eu dei, até pega neve. Nego chora e tudo. Eu, adepto da teoria HQEH do Veríssimo (vá procurar no google), no máximo, me empolguei. Chega-se a mais de 5.000m de carro e sobe-se uns 100mts a pé. Não subestime os 100mts ( na verdade, não subestime os 5000mt ): Leve um pouco de água, protetor solar- depreferência bloqueador, e ande muito devagar.

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Muito famoso também é a trilha de bike de Coroico, a estrada mais perigosa do mundo. Downhill!!! Quem faz diz que é du caralho!!! Muitas agências ali saiam todos os dias de manhã com carros apinhados de bicicletas.

E lógico, a feira das bruxas logo ali do lado, na Calle Linares. Feto de Lhama, pata de condor, tatu empalhado, cordões de sementes e toda espécie de ervas e pózinhos de pirlimpimpim que vc imaginar. Tudo vendido por velhinhas carcomidas munidas de suas vassouras voadoras!

Lianna conta que queria comprar uma essência de patchoulim e como não tinha, as bruxas queriam vender outros pirlimpimpins para ela “agarrar homem”…hahaha. Segundo as bruxas, patchoulim era para isso.

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Taxi Rodoviária : hostal – B10

Janta Patrão (Lugar transado, cerveja, suco, sobremesa, café… tudo sem olhar quanto custava) – B60

Hostal com Desayuno – B100 (50 por noite) Apesar de, no geral, os preços serem muito baixo, achamos as hospedagens cara.

Desayuno – B7

Passeio Chalcantaya / Vale da Lua : $10 ( não me lembro se estava incluso entrada no Vale. De qq maneira, meu ticket marca B10 )

Fair Play : Calle LLampu 671. Zona El Rosário. Tel: 2141673.

Coloquei os preços aqui como referencia. Nem todos os gastos foram anotados mas como pode-se ver, os preços em La Paz não são os maiores problemas a serem enfrentados.

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