Trecho 03 : Puerto Maldonado – Cuzco

4 10 2007

Por causa da greve dos transportes do dia anterior, ficamos com medo de não conseguirmos passagem já que havia muito mais demanda do que oferta de passagem. Acordamos as 7 da manhã para comprarmos e conseguimos bilhetes para as 14hs.

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Dica: Compramos passagens na Civa, recomendado pelos locais como a melhor empresa. Calefação no ônibus não é nada supérfluo. Lembre-se que apesar de estarmos ainda na Amazônia, o ônibus à caminho de Cuzco subirá a mais de 4.000m de altitude. Por isso, leve casaco também.

Para passar o tempo, havia visto no hall do hotel ( tradução: na parede do pulgueiro…rs ) um cartaz sobre um borboletário nos arredores da cidade. Lá fomos nós. Chegamos e fomos logo expulsos pelo preço do ingresso. $25 para ver borboleta? Sem chances! Para nossa sorte em frente havia um serpentário. Conseguimos chorar um pouco e pagamos 3, entramos 4.

Voltamos a tempo de tomarmos um banho e fazermos umas compras na farmácia: água e umas “pílulas de oxigênio”. Pois é…peça assim na farmácia que eles vão entender. Um médica amiga que nos encontrou mais a frente, em Copacabana – Bolívia, leu a composição e nos disse se tratar de um Benegrip peruano. Placebo ou não, tomamos.

Serão 20hs de ônibus sem banheiro, com somente uma parada, em uma estrada muito sinuosa. Este trecho faz parte da “Carretera Transoceânica” ( Rio Branco – Lima ) que para promover uma integração maior entre Brasil e Peru, o trecho entre Rio Branco e Cuzco será asfaltado. Seu asfaltamento está previsto para 2009. No momento este trecho está pior do que antes pois em uma estrada que mal cabe um carro, só tem trafegado caminhões, tratores, máquinas pesadas e o nosso ônibus. Por vezes jurávamos não ter espaço para o ônibus passar. Apesar disso, a estrada é transitável e por contrato a empresa responsável pela obra tem que deixa-la assim durante todo o ano, inclusive durante as chuvas.

Almoce pois a janta é em um local, para ser bondoso, muito desinteressaste. Várias barraquinhas de madeira na beira de uma estrada de terra cheia de outros veículos. Para a maioria das pessoas jantar ali será impossível. A janta será um “pan com queso”.

Ceviche ou Cebiche (uma amiga peruana nos confessou que nem eles sabem ao certo como se escreve): prove. Arde na alma mas é bom.

Logo ao subir no ônibus, depois da janta, perguntamos ao motorista aonde seria a próxima parada. A resposta: em Cuzco. Isso aí. 20hs de estrada e apenas uma parada. Dormimos rezando para o xixi madrugal não se manifestar. Óbvio que o ônibus não tinha banheiro. Pra que né?

4.000 de altitude. Amanhecendo o dia. Ônibus para no meio do nada. Motorista grita algo não “entendível”. Todos começam a descer. Mulheres para um lado, homens para o outro. Fazer xixi vendo montanhas nevadas no horizonte, no meio da estrada, a muuuito menos de zero graus é uma sensação………………………………………… interessantíssima!!!!!!!!

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Gastos:

Pulgueiro : ilegível. Meu caderno molhou nesta página mas nada mais do que 12 soles
Café da manha – desayuno : 3 soles
Serpentário : 15 soles
Moto Táxi ida e volta Serpentáro : 4 soles
Passagem na Civa PM – Cuzco : 20hs de viagem : 50 soles
Almoço na Civicheria em frente ao embarque : 8 soles

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Trecho 02 : Rio Branco – Puerto Maldonado

29 09 2007

Dica: Atenção para a Federal de Brasiléia pois se pegar a condução diretamente para Assis Brasil, que é o mais obvio a se fazer, terá que voltar a Brasiléia pela ausência do visto de saída. O último posto da Federal é o de Brasiléia e não há o que se fazer em Assis Brasil a não ser voltar. Essas informações sobre vistos de entrada e saída são contraditórias mesmo dentro da própria Polícia Federal. Se você de lambuja ainda colocar a imigração peruana na jogada, é um samba do crioulo doido. Mesmo de posse do visto de saída, por um deslize meu e do Policial Federal que me atendeu em Brasiléia, meu passaporte não foi selado, registrada, carimbado, avariado, e rotulado… Se não fosse minha cara de cachorro pidão, teria que voltar. Fomos avisados por um funcionário da rodoviária de Rio Branco desta pegadinha. Os dois trechos ( passagens Rio Branco – Brasiléia – Assis Brasil ) podem ser comprados na rodoviária de Rio Branco mesmo. A soma das duas passagens não sai mais caro e a perda de tempo é mínima.

Em Assis Brasil, último destino em terras brasileiras, sem dúvida nenhuma um táxi irá te abordar. No pacote, ele ira te levar ao posto da imigração em Iñpari para dar a entrada no Peru e te levar a Puerto Maldonado, distante 4:30hs dali. Estrada de terra mas absolutamente transitável. Não espere um táxi londrino mas tenha fé que tudo dará certo!

E foi só sair do Brasil que as histórias começaram.

Na Polícia Federal, agregamos um companheiro espanhol que estava a 8 meses rodando o mundo. Vocês não podem imaginar a felicidade do rapaz ao voltar para um lugar que falasse o idioma dele. Como se não bastasse, ele ainda ficaria quase 5 horas confinado em um carro com um taxista, normalmente famosos por falarem muito. Foram nada mais nada menos que cinco horas de um papo empolgadíssimo. De política internacional americana, passando pela situação de Cuba e Rússia, chegando a cremação de corpos na beira do rio Ganges.

Lá pela segunda horas de muito chão, pó, poeria ( minha licença ao Oswaldo ) passamos, na beira da estrada, por uma família – pai, mãe e chico de colo com suas respectivas mochilas. Nosso táxi para, eles conversam ao jeito deles – muito alto, muito rápido e com muitos gestos, e de repente o motorista abre a mala e lá entram todos. Agora me expliquem: como que um carro ( uma espécie de Parati ) consegue, levando 5 adultos + 4 mochilões ( o “ão” do mochilão vocês podem tomar por base que o espanhol estava a 8 meses viajando e nós apenas começando), oferecer, e o pior, aceitarem, uma carona. A família só conseguia gritar lá de trás “ventana, ventana” para abrimos a janela antes que eles morressem sufocados. Preferiram soterrados na poeira!

el super táxi

Chegasse a beira de um rio e após uma travessia de canoa, Puerto Maldonado nos esperava. Chegamos exatamente no meio de uma greve de transportes em protesto a uma taxação governamental aos povos da floresta. A cidade estava bem cheia de trabalhadores de outras localidades e de pessoas que estavam de passagem. Ambos não conseguiram transporte para sair. Com isso, muitas hospedagens lotadas mas com sorte conseguimos achar um hostel “agradável”. Nossa agregado ajudou bastante…e continuou falando.

Loirinho, loirinho… de barro!

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Custos
Passagem Rio Branco – Brasileia : R$19

Passagem Brasiléia – Assis Brasil : R$9

Taxi Assis Brasil – PM : 10 bol por cabeça

Travessia canoa : 1 bol

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Mais imagens em www.flavioveloso.com.br

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Fiz contato com uma amiga que fez o trajeto na época da chuva ( jan /2008).
Vale frizar que era um LandRover
Aí está o relato dela:

“Já passamos pela Estrada do Pacífico e foi durante o dia e com chuva.
A estrada está aberta todos os dias e as obras continuam. Os trabalhadores ajudam quando está com risco de deslizamento.
Sinceramente, achei que fosse bem pior!!!
Acho que o negócio é vir devagar e com muita atenção.
Nós pegamos alguma chuva e fizemos a estrada em dois dias.
Fizemos no primeiro dia até uma cidadezinha chamada quizemil (12 horas de viagem) , dormimos numa espécie de alojamento e no dia seguinte fizemos a segunda parte chegando a Puerto e depois a Cusco.
Acho que só é preciso cuidado e prudência, os motoristas de caminhões jogam o carro em cima da gente e se bobear, vai precipício abaixo.”

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Pois é…outro relato e me parece que até as pontes já estão em atividade. Quando asfaltarem tudo, esse trecho vai bombar!