Em Uyuni : passeio de 3 dias

5 05 2008

Tomando como base tudo que visitei e os passeios que não fui mas tomei conhecimento, digo: o Salar de Uyuni é a Machu Picchu da Bolívia. Soa meio piegas mas vou explicar porque estou dizendo isso.

História ( antropológica e geológica ) e paissagens de emudecer, assim como me senti em Machu Picchu. Já escrevi isso aqui mas a grandiosidade da cidade sagrada própriamente dita me deixou tão fascinado quanto o local aonde ela se encontrava. Esse espanto tambem aconteceu no Salar.

Não conseguia imaginar o que seriam milhares de kilometros quadrados de sal. Também não imaginava como seria uma piscina de água termal no meio do deserto gelado e nunca havia visto neve. Neve mesmo, não aquela casquinha branca que acontece em Itaitiaia. Olhar para todos oa lados e ver branco ( o branco aqui da foto “ainda” é sal, ok?). Graças ao Zé Colméia (ou seria o Pica Pau), os geisers eu conhecia de vista, mas com pouquíssima intimidade.

A formação do Salar propriamente dito se deve ao represamento, proveniente da tectônia de placas ( use o google ) de um antigo braço do ocêano Pacífico, que primeiramente formou um lago e, aliado a um índice de evaporação muito maior do que a precipitação resultou num enorme campo aberto com kilometros quadrados de sal. Pare ser mais exato, 12.000 km2. A cidade do Rio tem 1.200!!! ( fonte: IBGE )

O primeiro local a ser visitado é um cemitério de trens, ainda nos arredores da cidade de Uyuni.

De lá seguimos para a Ilha do Pescado (ou IncaHuasi). No meio do caminho, uma pequena parada em um Museu de Sal. Pagase para entrar. Fique esperto que só te avisarão na saída. Nada demais. Nem o preço, nem o pequeno museu. Como somos turista, tudo vale.

Também paramos em uma salina ( ironico se vc pensar que qualquer lugar ali é uma salina).

Rumo a Isla del Pescado, se tem noção da grandiosidade do salar. O carro trafega por cima de puro sal, enquanto no horizonte, em 360 graus, não a nada alem de sal.

Ficamos impressioando com o senso de orientação dos guias, já que nenhum ponto de referência é avistado. Ótimo para se dormir ao volante…rs. Nosso guia-motorista-cozinheiro-faz tudo nos mostrou isso na prática introduzindo um certo radicalismo ao nosso bucólico passeio. Escutar um ronco vindo da direção do volante não é algo que estamos acostumados no trânsito carioca.

Na Ilha do Pescado, todo o surrealismo até então onipresnte se intensifica. Apesar de estamos a 4000m de altitude e bem longe do mar, um enorme afloramente de corais, testemunhas fóssies do antigo assolho ocêanico soerguido com o choque das placas, surge em meio a kilometros quadradas de sal. E esses corais, como única fonte de “matéria orgânica” na região foram colonizados por enormes cactos, dominantes no local.

Em resumo temos um afloramento de coral, com uma monocultura de cactos gigantes em meio a kilometros de sal. Salvador Dali ficaria orgulhoso.

Paga-se 10 bolivianos pela visita.

Depois de cada um andar pelo afloramento, o almoço é servido ali mesmo. Nossa guia-motorista-cozinheiro-faz tudo não nos decepcionou. Estavamos muito desconfiados de como seria a alimentação neste três dias de passeio e nos surpriendemos nos alimentando melhor do que nas cidades.

Próxima parada: hotel de sal. Não tem muito mais o que dizer além disso: é um hotel de sal. Paredes, bancos, mesas, absolutamente tudo feito com tijolos de sal. Sim, eu lambi uma parede sim. O chão? De sal grosso. Calma, esse eu não lambi. Mas adoraria fazer um churrasco ali só para deixar a carne cair!

Infraestrutura básica, simples e tranquilo. Banho quente ( leia a nota no rodapé do post ) e roupa de cama para o frio ( mas nem sonhe em não levar seu saco de dormir ). Aliado a uma boa janta e um dia inteiro de chacoalho dentro do carro, rendem uma boa noite de sono. No fundo, no fundo, é um alojamento “perfumado”. Vale dar uma saída a noite para ver o céu.

Jantamos e novamente Vovis mandou muito bem. A comida estava maravilhosa.

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Custos

Se no seu Volcher não estiver escrito que o hotel de sal é “con todo inlcuso”, terá que pagar uma taxa para o banho quente.

A mesma teoria serve para a taxa de visitação a Isla del Pescado. 10 Bs.

Fora isso, quase não se tem a opção de gasto neste dia.

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Em Uyuni : Frio

1 05 2008

Bem, chegamos a Uyuni e a impressão que eu tenho é a mesma de Puno. Uyuni tem uma sorte descomunal de ficar em uma região naturalmente bela. Não precisa fazer nenhum esforço para atrair os turistas. E não fez! Pequena, suja, mal tratada e velha. Cidade fantasma. As poucas opções na cidade para os turistas dão conta do recado mas não passam com louvor nenhum. Quem está atrás de um pouquinho de sofisticação, vai se decepcionar. Enfim, não era o nosso caso.

Ao descermos do ônibus já fomos abordados pela senhora da que fazia as honras para a agência de La Paz. Apresentamos o voucher e lá fomos nós, andando num frio da porra enquanto o dia amanhecia, para o escritório em Uyuni.

Então se liga: o ônibus tem calefação mas a cidade não. Se for no inverno, não seja mané ( como eu ) de deixar os casacões no mochilão.

Os passeios de três dias saem na parte da manhã, por volta das 10hs. O tempo que nos sobrava até lá, usamos para sabermos aonde haviam hostels, visita-los e pegar informações para a volta. Bom para não ficar procurando cansado.

Em Uyuni usamos a Olivios Tours, comprado via Dianna Tours em La Paz.

Esperamos um pouco em quem aponta lá no horizonte: vóvis, nosso guia-cozinheiro-motorista-faz tudo, e nossa viatura vermelha. Não era assim um Hummer, mas era o padrão boliviano de transporte: funcional.

Bom, tenho dado um tempo nos causos mas nosso guia-cozinheiro-motorista-faz tudo merece um relato mais detalhado. Vóvis, carinhosamente apelidado, era um senhor com seus 60 e muitos anos. Figuraça!!! Em muitos momentos, temperou um passeio contemplativo com uma pitada de “esporte radical” injetando-nos doses cavalares de adrenalina. Uma dessas emoções, e serviu como seu cartão de visita já que aconteceu nas primeiras horas do passeio, foi o fato dele aproveitar que entramos no Salar ( kilometros quadrados com absolutamente nada…uma área enorme, plana e lisa ) para simplesmente tirar um cochilo. Agora imaginem vcs com um sul-africano, um francês e um americano, num salar, sendo guiado por um velhinho e de repente: um ronco!

Mas isso não se compara ao fato do simpático velhinho ser surdo da orelha direita. Então quando vc perguntava alguma coisa, ele simplemente girava o corpo para direita, afim de virar a orelha para gente e conseguir escutar alguma coisa. E o volante? Ah…o volante ele girava junto. Então com o tempo fomos pegando a manha: a cada pergunta que fizessemos, ele viraria o corpo, que viraria o voltante, que consequentemente faria o carro fazer um curva, que assustaria vovis de sobremaneira, que faria com que ele desse uma freiada brusca, que faria o carro descovernadamente dar um cavalo de pau, com variáveis entre balancar de um lado para o outro ou, menos frequentemente, arrastar os pneus em linha reta até parar, que faria com que os seis turistas no carro passassem do “corado-to passeando pela américa” ao “pálido-pqp, que que eu to fazendo aqui”.

Bom ainda tem muito causos como o fato dele falar francês, de não sentir frio, de ser alpinista…mas o post está ficando grande e ainda tenho muito que escrever.

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Gastos:

Como praticamente não ficamos em Uyuni neste momento, gastamos apenas com um café e uma garrafa d’água para cada um levar.

Preços padrões que vcs já estão acompanhando.

Durante os três dias de passeio, não se tem aonde gastar. Apenas algumas taxas se vc não comprou o pacote com “todo incluso” ( 30 Bol na entrada do Parque + uma merreca para banho quente no hostel de sal + guloseimas nas biroscas ).

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mais imagens em www.flavioveloso.com.br