Trecho 12 : Samaipata – Santa Cruz de la Sierra – Rio de Janeiro

2 09 2008

Como nosso tempo já estava muito curto, não fomos visitar o forte que teoricamente é a atração principal e mais procurada em Samaipata. Já estava com minha cota de ruínas saturada e muito satisfeito com as cachoeiras que encontrei na cidade. Mas fica a dica: ruínas pré-incas de uma fortificação que parece ter sido bem importante.

Optamos por voltar de taxi-lotação. Esperamos lotar um taxi no ponto localizado na entrada da cidade e rumamos em direção a Santa Cruz de la Sierra.

Por opção, já acertada anteriormente, voltaríamos de trem. O místico trem da morte. E apesar de todos os avisos para comprarmos antes as passagens do trem, não quisemos nos prender a uma data e resolvemos deixar para comprar na hora. Tudo tranquilo. Conseguimos comprar as passagens na hora, para a categoria que queríamos, sem stress.

Bom, remando contra a maré de opiniões de muitos neo-hippie-pós-modernos, de morte o trem não tem nada. “Ah, mas é uma experiência antropológica…uma imersão na cultura local…”. Fala sério!!! Ar condicionado, calefação, poltrona super confortáveis, DVD, serviço de bordo… Depois de dormir em casa de nativos em Amantani, de quase sair no tapa em espanhol por causa de 0,50 centavos de bolivianos em Puno, de muito jogo de cintura na frente de um velhinho cheio de sangue com um serrote na mão querendo plata em Ollantaythambo, de comer com a mão em Potosi, de pegar um ritual xamãnico quase sem turístas na Ilha do Sol, de muito mercado central por aí, esse trem não tem nada de experiência antropológica, de imersão cultural e outros blá, blá, blá que são propagados… 99% das pessoas que “tiram essa onda” vão na melhor categoria, e eu não as condeno por isso. Eu não seria idiota de recomendar a ninguem que passe 20hs de viagem sentado em uma banquinho de madeira. Só acho contraditório essa mística propagada em torno do trem quando na verdade o trem é um como outro qualquer, quando não melhor. Quem anda de trem aqui na central com certeza tem muito mais histórias para contar. Poderia ter toda uma áuria aventureira no passado quando o turísmo ainda não havia descoberto essa rota e apenas os iniciados eram suficientemente corajosos para encarar. Mas hoje? Só falta wi-fi.

Enfim, optamos por voltar de trem, mas vale destacar que em Santa Cruz existe aeroporto e voos para o Brasil. Logo, fica a opção. Quem quiser ter um pouco mais de tempo para curtir (já que perdesse quase dois dias entre trem e onibus para chegar ao sudeste) e voltar voando a partir de Santa Cruz, direto para Rio ou São Paulo, fique sabendo que é possível.

Para quem optar por essa corneada após descer do trem em Puerto Quijarro, pegasse um taxi para Corumbá e, já em terras brasileira, um ônibus para o seu destino final, no meu caso, o Rio de Janeiro.

Mesmo que faça as refeições usando o serviço de bordo, visite um dos “comedores”, os vagãos-restaurantes.

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Gastos:

Trem da Morte : Classe Super Pullman : 115 bols : +ou- 20hs de viagem

http://www.ferroviariaoriental.com/

Todas as informações sobre tarifas, classes, horários podem ser achadas no site da empresa.

Passagem Corumbá – Cuiabá – SP – Rio de Janeiro : R$226

Sim, o ônibus passa por todos esses locais. 28hs de viagem

Viação Andorinha : www.andorinha.com

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Em Samaipata : Pára-raio de maluco!

25 08 2008

Como tenho sido beeem sucinto com os causos, vou me dar o luxo de deixar mais dois neste post. Se você está somente a procura de dicas, elas estão no final do post, resumidas.

Bom, como escrevi no post anterior, após chegar na cidade, achar um hostel e tomar um banho, fizemos um reconhecimento rápido e fomos atrás de um lugar para jantar. Achamos um restaurantezinho destes feitos para gringos: simples, porém transado e cheios de frufrus. No ambiente, nós, um casal de alemães em outra mesa e uma família com um Vovis (outro vovô muito figura) na outra. Durante todo o tempo, Vovis, que já tinha matado sozinho pelo menos uma garrafa de vinho, perturbou o casal de alemães. Perguntava a todo hora como se falava isso ou aquilo em alemão e repetia para neta na mesa dele. O tempo passou, Vovis cada vez mais “alegre” e os alemães foram embora.

Obvio que eu com meu pará-raio de maluco, não podia escapar ileso. Vovis despachou a família e pra lá de trêbado, puxou uma cadeira e, sem pedir nem titubear, se sentou na minha mesa. Vendo que eu estava tomando cerveja, pediu outra garrafa e um copo para ele… e tome de vovis falar. O que? Sei lá. O que eu consegui entender era que eu era muito amigo dele, que ele adorava ter e fazer amigos. Vendo que eu estava com a Lianna começou a falar de amor e emendou num papo de que poderíamos dormir na casa dele, ou que ele poderia dormir no nosso hostel, e que poderíamos ir na cachoeira juntos no dia seguinte. E metia a mão na perna da Lianna, e me abraçava, e falava que o amor era lindo… Não conseguimos identificar quem Vovis queria comer: eu ou a Lianna. Pedimos a conta pois tinhamos marcado a ida às cachoeiras no dia seguinte. Vovis não nos deixou pagar a conta. Viva Vovis…rs. E quem disse que ele conseguia andar? Terminamos a noite, Lianna de um lado, eu de outro, escorando Vovis cambalenado bêbado igual um gambá, levando-o até o hostel dele. E o detalhe era que ele não sabia onde era. E a cada três passos ele parava para dar uma sambadinha mostrando que já havia vindo ao Brasil. Isso tinha que ter sido filmado: tarde pra cacete, duas pessoas, numa cidadezinha boliviana de 1000 e poucos habitantes, arrastando um Vovo bêbado que não se agüentava em pé, que não sabia onde estava hospedado e ainda assim ele sambava e cantava a cada 20 metros.

Mais um…

No dia seguinte, antes da cachoeira, fomos ao que eles chamam de Zoológico. Na verdade um sítio aonde a moradora cuida de alguns animais achados e apreendidos. Mais um criadouro que um Zoo. Mas não importa o que era. O que importa é que eu fiz um grande amigo neste zoo: Nhonho! Cheguei e logo na entrada avistei um bugio adulto solto. Porra um Bugio!!! Me mato por aqui para conseguir ver um na Serra. Fotografa-lo então, tarefa complicada. E ali eu tinha um a minha disposição. Um pouquinho de transpiração, um esforço para achar um ângulo sem nada urbano atrás, um crop bem dado aqui, um cuidado a mais com o fundo ali e a foto seria “feita” na floresta. Quem estava num cativeiro? Apontei a lente para ele e na hora ele me deu uma encarada, mostrou os dentes e virou o rosto. Relaxei, apontei de novo, mais cara feia, mais dentes a mostra e uma virada de cara pro outro lado. Pronto, esse bicho não está gostando e vai me dar uma porrada. Quem conhece sabe que o Bugio tem um aspecto agressivo. E apesar de não ser, engano bem. Mas vamos lá… foto. Apontei de novo e a mesma atitude. Dentes grandes e afiados, no território dele. Cacete, esse bicho vai me dar um mordida já já… Com tanto bicho solto dando mole, deixei o Bugio de lado. Resolvi ignorá-lo e fui atrás de outros bichos para fotografar. Afastei-me um pouco para ver o que ele faria. Ele me olhava desconfiado e desceu do muro que ele estava sentado e começou a ir na direção da Lianna. Para minha surpresa (e pavor) passou direto e veio na minha direção. Pronto, é agora a mordida. Nhonho senta na minha frente, entre os meus pés, olha para cima e 3 segundos depois estica os braços para cima como que pedindo colo. Quando eu faço menção de dar a mão, ele pega no meu antebraço, e antes que eu fizesse qq coisa, tenho um macaco sentado em cima da minha cabeça. E de lá não saía por nada. Era eu colocá-lo no chão para fotografá-lo que ele vinha para junto das minhas pernas e repetia o ritual. Pronto, havia ganhado um amigo, sentado na minha carcunda, pelas próximas horas. E imaginando quantos piolhos eu ganharia com essa nova amizade. Fora a sensação de saber que um macaco estava com o saco grudado na sua nuca…

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Custos e Dicas

Andorina Hostel: Calle Campero, tel. (3) 944 6333

noilenna@hotmail.com

www.andorinasamaipata.com

Residencial Dom Jorge (onde fiquei) Calle Bolivar, 20. tel: 944 6086 ou 352 4365

Tours Los Helechos : Calle Bolivar, 39. Frente ao Museu. tel. 73163506

tours_loshelechos@hotmail.com

La Chakana : Café e Restaurante : Casilla, 2166. Plaza Principal. Tel.: (591-3) 944 6146

chakanabol@yahoo.com

http://www.geocities.com/chakanabol/cafeteria.htm

Agência-Guia. Alto padrão : http://www.discoveringbolivia.com/inicio.html

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Trecho 11 – Sucre : Samaipata

8 08 2008

Samaipata é uma cidadezinha, no meio do caminho entre Sucre e Santa Cruz, ainda totalmente fora do circuito turístico tradicional. Nos arredores de um grande parque nacional boliviano, oferece alguns hostels ( um muito bom ), pequenos e bons restaurantes, algumas cachoeiras, muuuita paz e uma fortificação importante na história arqueológica da região.

Como era a última parada da viagem, não havia tempo (nem $$$) para a visitação ao parque. Passeios de três dias ou mais me pareceram bem interessantes para quem curte uma real imersão na natureza. Não é um passeio de pic-nic. É florestão tropical quente e úmido. Fique esperto! Para quem curte é o paraíso, mas pode ser um inferno para quem faz trilha de sapato alto.

Ida e volta: De Sucre, para chegar em Samaipata, não sei se tem um ônibus específico. Pega-se um ônibus Sucre – Santa Cruz e desce no meio do caminho. Da estrada, anda-se poucos metros para entrar no vilarejo. De Santa Cruz tem ônibus específicos para o vilarejo. Informe-se porque o ônibus não sai da rodoviária e sim do terminal Bimodal. Se não estiver sozinho, faça as contas do valor das passagens versus rachar um táxi.

Na volta, existe um ponto de taxi-lotação na estrada, na porta da cidade. Tem-se também o opção de um ônibus, mais barato mas também mais demorado e com a restrição dos horários fixos.

Atrações: pegamos um guia gente boa e no pacote visitamos de manhã , dentro da cidade, uma espécie de cativeiro de reintrodução e na parte da tarde algums cachoeiras. Sobre o “zoológico”, pelo que eu entendi, os animais capturados pelo “IBAMA” são deixados neste sítio para serem reabilitados. Foi lá que começou o meu caso de amor com o barbudinho aí de cima…hahahaha. Minha namorada quem fez essa foto que faz tanto, mas tanto sucesso que tenho que pelo menos colocar o crédito.

As cachoeiras  (especificamente essas que eu visitei) ficam nos arredores da cidade, dentro de uma propriedade particular. Logo, apesar do caminho ser bem marcado, um guia ajuda. Fomos e voltamos de táxi por que não é tão perto assim. Mesmo não estando um sol forte, vale a ida. Barato, perto e bem bacana.

De noite um bom jantar em frente a única pracinha que tem na cidade com um bom vinho por preço de banana.

Para quem volta por Santa Cruz e ainda tem alguns dias para queimar, Samaipata é uma boa pedida. Não tem absolutamente nada de agito. Eu estava num clima mais calmo, com namorada, terminando a viagem…desacelerando. E alem de fotógrafo, tenho um pé na biologia, logo uma cidadezinha calma e no meio do mato era tudo que precisava para finalizar a viagem.

Hospedagem: Ficamos no primeiro hostal de quem entra na cidade. Logo a direita, ao lado de um comércio de material de construção. Bom, simples, com um amplo jardim e sossegado.

Na cidade tem um hostel chamado Andoriña. Visitamos e tomamos café da manhã nele. Muuuuito bom. Iogurte natural, frutas, mel, cereais integrais…além de muitos quadros na parede e livros fotográficos espalhados. Não ficamos nele mas me pareceu ser O hostel.

Vou catar as anotações de guias e locais e as coloco aqui.

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